Fevereiro - Em movimento típico, desemprego apresenta ligeiro crescimento
04 de abril de 2010 | Autor: Dieese
Fonte: Dieese

1. As informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED mostram que, em fevereiro, o contingente de desempregados no conjunto das seis regiões onde a pesquisa é realizada foi estimado em 2.618 mil pessoas, 90 mil a mais do que no mês anterior. A taxa de desemprego total cresceu ligeiramente, ao passar de 12,6%, em janeiro, para os atuais 13,0%, em movimento típico para o período. Ainda assim, é a menor taxa para o mês de fevereiro, desde 1998.

Segundo suas componentes, tal desempenho refletiu o comportamento da taxa de desemprego aberto, que passou de 8,5% para 8,9%, e da taxa de desemprego oculto (4,1%), que não variou. A taxa de participação passou de 60,6% para 60,9%, no período em análise.

2. Em fevereiro, o nível de ocupação praticamente não variou (0,1%), em comportamento não esperado para o período, quando costuma diminuir. Mesmo assim, a criação de 25 mil ocupações foi insuficiente para absorver as 116 mil pessoas que se incorporaram à força de trabalho, resultando no aumento do contingente de desempregados (90 mil). O total de ocupados nas seis regiões investigadas foi estimado em 17.560 mil pessoas e a População Economicamente Ativa, em 20.179 mil.

3. A taxa de desemprego total cresceu em Salvador, Recife e São Paulo, permaneceu relativamente estável em Belo Horizonte e Porto Alegre e diminuiu no Distrito Federal.

4. O nível de ocupação apresentou pequeno crescimento em Porto Alegre (0,9%), Distrito Federal (0,6%) e São Paulo (0,5%) e diminuiu em Belo Horizonte (1,0%), Recife (0,7%) e Salvador (0,5%).

5. No conjunto das regiões, o nível ocupacional, sob a ótica setorial, diminuiu no agregado Outros Setores (23 mil ocupações a menos, ou redução de 1,6%), na Indústria (10 mil, ou 0,4%) e na Construção Civil (6 mil, ou 0,6%), cresceu no Comércio (42 mil, ou 1,5%) e permaneceu relativamente estável nos Serviços (22 mil, ou 0,2%).

6. Por posição na ocupação, o pequeno crescimento do total de assalariados (0,7%) foi resultado do desempenho positivo do emprego no setor privado (0,9%) e da relativa estabilidade no setor público (0,1%). No segmento privado, aumentou o assalariamento com carteira de trabalho assinada (1,5%) e diminuiu o sem carteira (2,3%). Reduziram-se os números de autônomos (1,6%), ocupados nas demais posições (0,9%) e empregados domésticos (0,4%).

7. Em janeiro, no conjunto das regiões pesquisadas, o rendimento médio real dos ocupados não variou e o dos assalariados cresceu ligeiramente (0,5%). Seus valores monetários foram estimados em R$ 1.267 e R$ 1.342, respectivamente.

8. O rendimento médio real dos ocupados aumentou em Recife (2,0%, passando a valer R$ 813), Salvador (0,5%, R$ 1.020) e em Belo Horizonte (0,4%, R$ 1.295), praticamente não variou em São Paulo (-0,1%, R$ 1.309) e no Distrito Federal (-0,1%, R$ 1.832) e diminuiu em Porto Alegre (2,2%, R$ 1.223).

9. No conjunto das regiões pesquisadas, a massa de rendimento dos ocupados diminuiu 0,8%, resultado da redução do nível de ocupação, uma vez que o rendimento médio real permaneceu estável. A massa salarial variou positivamente (0,4%) em decorrência do crescimento do salário médio, já que o nível de emprego praticamente não variou.

 

Comportamento em 12 meses - ocupação intensifica ritmo de crescimento

 

10. Nos últimos 12 meses, o nível de ocupação no conjunto das regiões pesquisadas aumentou 3,4%, o maior crescimento dos últimos meses nessa base de comparação. No período em análise, foram criadas 584 mil ocupações, número superior ao da entrada de pessoas no mercado de trabalho (460 mil), resultando na saída de 125 mil pessoas do contingente de desempregados. A taxa de participação passou de 60,5% para 60,9%, entre fevereiro de 2009 e de 2010.

11. Na mesma base de comparação, o nível de ocupação cresceu em todas as regiões pesquisadas: Distrito Federal (6,1%), São Paulo (3,7%), Recife (3,5%), Salvador (3,1%), Porto Alegre (2,3%) e Belo Horizonte (2,2%).

12. Em termos setoriais, no conjunto das regiões pesquisadas, o nível de ocupação aumentou nos Serviços (364 mil postos de trabalho, 4,0%), na Construção Civil (108 mil, 11,1%), no Comércio (56 mil, 2,0%), na Indústria (51 mil, 2,0%) e, em menor medida, no agregado Outros Setores (5 mil, 0,4%).

13. Por posição na ocupação, o aumento do assalariamento total (5,1%) deveu-se ao crescimento do emprego nos setores privado (5,1%) e público (5,5%). O desempenho do assalariamento no segmento privado resultou da elevação do número de empregados com carteira de trabalho assinada (7,1%), que mais que compensou a retração entre aqueles sem carteira (3,3%). Cresceu ligeiramente o número de empregados domésticos (0,5%), manteve-se praticamente estável o de autônomos (0,1%) e diminuiu o daqueles classificados nas demais posições ocupacionais (0,6%).

14. A taxa de desemprego total no conjunto das regiões pesquisadas diminuiu de 13,9%, em fevereiro de 2009, para os atuais 13,0%. Segundo suas componentes, a taxa de desemprego aberto reduziu-se de 9,6% para 8,9% e a de desemprego oculto passou de 4,3% para 4,1%, no mesmo período.

15. A taxa de desemprego total decresceu na maioria das regiões pesquisadas, com destaque para o Distrito Federal. Permaneceu relativamente estável em Recife e apresentou pequeno aumento em Belo Horizonte.

16. Entre janeiro de 2009 e de 2010, no conjunto das regiões pesquisadas, o rendimento médio real dos ocupados e o dos assalariados cresceram 1,5% e 2,2%, respectivamente. Esse resultado, no caso dos ocupados, refletiu os aumentos registrados em Belo Horizonte (4,8%), Recife (2,8%), Salvador (2,6%), São Paulo (1,3%) e Porto Alegre (1,1%). Houve redução do rendimento médio real apenas no Distrito Federal (3,0%).
17. Para o conjunto das regiões, nesse mesmo período, as massas de rendimentos de ocupados e assalariados cresceram 3,2% e 4,8%, respectivamente, em ambos os casos, como resultado de aumentos do nível de ocupação e do rendimento médio real.