Indústria e comércio criticam BC por retomar alta nas taxas de juros
30 de abril de 2010 | Autor: Correio do Brasil
Fonte: Correio do Brasil



A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou, nesta quinta-feira, o aumento da taxa básica de juros (Selic) em 9,5% pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Por meio de nota, a entidade perguntou. “a quem interessa segurar o crescimento do Brasil?”. Ela também questionou a competência e autonomia do Banco Central (BC), afirmando que o banco estaria “atendendo a interesses de poucos em detrimento de muitos”.

Segundo a Fiesp, que defendia a manutenção da taxa, o aumento na Selic mostrou um BC “acuado, refém de certos setores do mercado e cada vez mais distante dos interesses maiores da sociedade e do país”.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) também considerou a alta da Selic precipitada, inócua e conservadora. A entidade ressaltou que a medida vai frear o bom consumo interno do país.

"O país precisa equilibrar a retomada do consumo doméstico com o aumento de investimentos produtivos. A política monetária conservadora tende a ser um forte obstáculo a este objetivo, além de encarecer o crédito, que permitiu ao mercado interno passar pela turbulência internacional sem grandes percalços" afirmou, em nota, Abram Szajman, presidente da Fecomercio-SP.

Para o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, a decisão do Copom é contraditória em comparação ao cenário mundial.

“O caso brasileiro mostra um paradoxo. Enquanto alguns países importantes da Europa passam por uma onda de descrédito e outras nações desenvolvidas lutam para encontrar instrumentos que tragam estabilidade e crescimento econômico, o Brasil, que vive uma fase de expansão da economia, decide adotar medidas de contenção dessa expansão com aumento dos juros como forma de conter o crescimento e assim controlar a inflação”, afirmou Godoy, por meio de nota.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, considerou a decisão do Copom “equivocada e perversa para com o setor produtivo”. Ele lamentou o aumento da Selic afirmando que o Brasil está “virando um paraíso para os especuladores do mundo inteiro”, disse por meio de nota.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, disse não haver motivo que justifique o aumento da taxa de juros. Ele também culpou “os especuladores” pela medida. Para o presidente da CUT, o preço pelo aumento será pago pelos trabalhadores, “seja pela diminuição dos investimentos de parte do setor produtivo, atraído pela especulação, seja pela elevação do custo dos empréstimos ou do endividamento já existente”.

Na contramão
Enquanto o Brasil eleva a taxa Selic, o banco central da Rússia reduziu sua taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual nesta quinta-feira, em linha com o esperado, mas alertou sobre uma possível aceleração das pressões inflacionárias no segundo semestre, em um sinal de que o ciclo de afrouxamento pode estar perto do fim. A taxa foi cortada de 8,25% para 8%, com vigência a partir de 30 de abril. Foi a 13ª redução do juro básico desde abril do ano passado.

Câmbio
A China, por sua vez, reduziu sua cota de dívida estrangeira de curto prazo para 2010 em 1,5%, para evitar fluxos de capital "anormais", disse o regulador de câmbio nesta quinta-feira. Muitos economistas veem a dívida de curto prazo como um indicador de apostas na valorização do iuan e a redução da cota pode ter o objetivo de reduzir essa especulação. A cota, aplicada a bancos e algumas empresas, será determinada em US$ 32,4 bilhões no ano fiscal que se encerrar em 31 de março de 2011.