OIT: número de crianças trabalhadoras em todo o mundo caiu apenas 3% de 2003 a 2008
07 de maio de 2010 | Autor: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil

Um estudo divulgado hoje (7) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que o número de crianças trabalhadoras em todo o mundo diminuiu de 222 milhões para 215 milhões entre 2003 e 2008 – uma redução de apenas 3%. O documento anterior registra uma queda de 10% no período de 2000 a 2004.

O relatório Acelerar a Luta contra o Trabalho Infantil, publicado a cada quatro anos, alerta que os esforços globais para eliminar as piores formas de trabalho infantil estão perdendo força em meio à crescente preocupação com o impacto da desaceleração econômica.

A OIT manifesta preocupação diante da hipótese de que a crise econômica possa frear os avanços para cumprimento da meta de eliminar todas as piores formas de trabalho infantil até 2016, estabelecida em 2006.

Das 215 milhões de crianças trabalhadoras, 115 milhões de meninos e meninas estão inseridos nos trabalhos considerados mais degradantes, como práticas análogas à escravidão, prostituição e produção e tráfico de entorpecentes.

“Durante os últimos anos, viu-se um número de iniciativas e ganhos importantes dessa causa. No entanto, é necessário um renovado sentido de responsabilidade, pois os governos têm alternativas no momento de tomar decisões políticas ou formular orçamentos”, afirma o estudo.

“A atual crise econômica mundial não deve servir de desculpa para mudar nossas prioridades”, acrescenta o documento, ao destacar que um mundo livre do trabalho infantil é possível.

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Para OIT, é alarmante o aumento do número de adolescentes de 15 a 17 anos que trabalham

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) fez um alerta hoje (7) para o aumento no número de trabalhadores com idade entre 15 e 17 anos em todo o mundo. De acordo com o relatório Acelerar a Luta contra o Trabalho Infantil, publicado a cada quatro anos, o total passou de 52 milhões, em 2004, para 62 milhões, em 2008. Para a OIT, o aumento é alarmante.

Entre as meninas, a redução do trabalho infantil foi de 15% e, em setores considerados como as piores formas de exploração da mão de obra de adolescentes, de 24%. Já entre os meninos, houve um aumento de 7% no trabalho infantil e, em relação às piores formas, foram registradas poucas alterações.

Na faixa etária entre 5 e 14 anos, o número de crianças trabalhadoras diminuiu cerca de 10%, sobretudo na Ásia, na América Latina e no Caribe.

Já na África Subsaariana, o estudo classifica a situação de preocupante, uma vez que uma em cada quatro crianças entre 5 e 17 anos trabalha na região.

Na Ásia, o índice de meninos e meninas trabalhadores é de um em cada grupo de oito, e na América Latina e no Caribe, de um em cada dez  A maioria das crianças e adolescentes inseridos no trabalho infantil continua na agricultura (60%) e apenas um em cada grupo de  cinco recebe salário.

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Cooperação no Hemisfério Sul contra o trabalho infantil é exemplo positivo, avalia OIT

Um relatório divulgado hoje (7) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) elogia a cooperação entre os países do Hemisfério Sul no combate ao trabalho infantil. A publicação cita o Brasil como líder na região em iniciativas que contribuam para alcançar a meta de eliminar as piores formas de trabalho infantil até 2016.

De acordo com o documento Acelerar a Luta contra o Trabalho Infantil, publicado a cada quatro anos, a cooperação Sul-Sul tem fortalecido os laços entre países em desenvolvimento. Os programas na área de trabalho infantil começaram em 2006 na região, por meio do financiamento brasileiro de um projeto de combate às piores formas de trabalho infantil nos países africanos de língua portuguesa.

Um memorando de entendimento entre a OIT e o governo brasileiro, assinado em dezembro de 2007, visa a promover a cooperação entre os países, por meio do compartilhamento de experiências de sucesso na luta contra o trabalho infantil, no âmbito de blocos como o Mercosul e o Ibas – que reúne a Índia, o Brasil e a África do Sul – além de grupos de países unidos por um idioma comum.

Um dos exemplos citados pelo estudo é a assistência técnica que o Brasil presta, desde 2007, ao governo de Gana, para o planejamento de ações sociais que sigam as linhas do Programa Bolsa Família. Outro destaque, segundo a publicação, é um projeto financiado pelo Brasil em 2008 com o objetivo de ajudar o governo do Haiti nas ações voltadas à eliminação do trabalho infantil.

Em 2009, de acordo com a OIT, três novos projetos envolvendo a Bolívia, o Equador e o Paraguai foram financiados pelo governo brasileiro para complementar ações de combate ao trabalho infantil na América Latina.

O Brasil estabeleceu o ano de 2015 como meta para eliminar as piores formas de exploração de mão de obra infantojuvenil. O país se comprometeu ainda a eliminar, até 2020, todas as formas de trabalho infantil.