O custo da cesta básica subiu em todas as 17 cidades pesquisadas, segundo Dieese.
09 de maio de 2010 | Autor: Dieese
Fonte: Dieese

Apenas uma das 17 capitais brasileiras onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica registrou, em abril, queda no preço dos gêneros alimentícios essenciais. A única retração ocorreu em Goiânia (-0,22%). Brasília (0,57%) e Aracaju (1,80%) apresentaram os menores aumentos. Por outro lado, as maiores altas ocorreram em Natal (12,09%), Belo Horizonte (6,55%) e Recife (6,17%).

A elevação de 4,53%, em Porto Alegre, manteve a capital gaúcha com o maior custo para o conjunto de produtos essenciais: R$ 268,72. São Paulo (R$ 261,39) e Rio de Janeiro (R$ 253,13) vieram na sequência. Os menores valores foram apurados em Aracaju (R$ 184,97) e Fortaleza (R$ 187,21).

Com base no custo da cesta observado em Porto Alegre, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. O menor salário pago no país deveria ser, em abril, de R$ 2.257,52, o que corresponde a 4,42 vezes o piso pago no mês (de R$ 510,00) e é quase R$ 100,00 maior que o valor registrado para março (R$ 2.159,65). Em abril de 2009, o mínimo necessário ficava em R$ 1.972,64, ou seja, 4,24 vezes o mínimo então vigente (de R$ 465,00).

 

Variações acumuladas

 

No primeiro quadrimestre de 2010, o custo da cesta básica subiu em todas as 17 cidades pesquisadas. As maiores variações acumuladas foram anotadas em localidades do Nordeste: Recife (25,20%), Salvador (20,12%), Natal (19,98%) e João Pessoa (19,47%).

Os menores aumentos ocorreram em Fortaleza (5,79%), Brasília (6,99%), Goiânia (8,15%) e Aracaju (9,33%).

Em 12 meses – no período entre maio de 2009 e abril de 2010 -, somente em Goiânia a variação acumulada é negativa (-2,54%). Fortaleza (0,50%) e Brasília (7,50%) registraram as menores elevações. As elevações mais expressivas ocorreram em Recife (21,42%), Natal (16,40%), São Paulo (15,85%) e Salvador (15,08%).

 

Cesta x salário mínimo

 

As pessoas remuneradas pelo salário mínimo precisaram cumprir, em abril, na média das 17 capitais, uma jornada de 98 horas e 44 minutos para adquirir a cesta básica.

Em março o tempo de trabalho exigido ficou em 94 horas e 38 minutos, enquanto em abril de 2009, a jornada necessária correspondia a 96 horas e 12 minutos.

Também quando se considera o percentual do salário mínimo líquido (após o desconto da parcela correspondente à Previdência) comprometido com a aquisição dos produtos básicos verifica-se a mesma situação. Em abril, o custo da cesta básica comprometia, na média das 17 capitais, 48,78% do mínimo líquido, enquanto em março exigia 46,75% do valor recebido pelo trabalhador. Em abril de 2009 a compra dos bens essenciais exigia 47,78%.

 

Comportamento dos preços

 

O encarecimento da cesta básica em abril foi causada, basicamente, pela elevação dos preços de produtos como o leite, que subiu em 16 capitais, tomate, também com alta em 16 e feijão que teve aumento em 15.

As maiores elevações do leite foram anotadas em Salvador (12,78%), Florianópolis (8,25%), Curitiba (7,56%) e Porto Alegre (7,18%). Apenas em Manaus (-1,74%), o produto ficou mais barato. Em um ano, o leite subiu em 15 capitais, principalmente nas três cidades do Sul: Curitiba (19,15%), Florianópolis (18,07%) e Porto Alegre (16,99%). A única queda ocorreu em Recife (-1,83%) e em Fortaleza houve estabilidade. Desde março, o preço do leite vem aumentando na maioria das capitais, em parte pela quebra da produção devido ao excesso de chuvas em algumas regiões produtoras como o interior do estado do Rio, Santa Cataria e Paraná. Ao mesmo tempo, há pressão de produtores e intermediários pelo aumento do preço. Nos próximos meses começa a estiagem, fenômeno sazonal, com menos chuvas e dias com menor insolação que prejudica as pastagens e acarreta redução da oferta.

Como resultado, pode haver alta no preço, ou pelo menos a manutenção de valor elevado.

O tomate, que já vem pressionando o custo da cesta nos últimos meses e foi, em março, o maior responsável pela alta verificada, manteve, em abril, taxas elevadas, mas com tendência à redução. São Paulo registrou recuo de 9,05% e houve pequenas variações no Rio de Janeiro (2,39%, Curitiba (1,49%) e Brasília (1,19%), enquanto a menor elevação do mês anterior havia sido superior a 12%. Fortes altas foram apuradas em Natal (57,53%), Belém (24,05%), Fortaleza (20,32%) e Recife (19,38%). O clima tem sido favorável para o aumento da oferta e os preços elevados tendem a ser rejeitados pelo consumidor. Na comparação com abril de 2009, todas as capitais registraram alta, a maioria muito expressiva, como em Porto Alegre (127,64%), Recife (118,35%), Natal (106,59%) e Florianópolis (95,68%). Fortaleza teve a menor elevação (3,78%).

O feijão voltou a indicar comportamento altista – já iniciado em março – e apenas Fortaleza (-2,07%) e Goiânia (-2,74%) tiveram redução no preço. As taxas mais significativas foram apuradas em Belo Horizonte (50,97%), São Paulo (46,30%), Salvador (43,36%) e Natal (39,53%). Nos últimos 12 meses, houve queda em 10 capitais (em março 16 localidades apresentavam variação acumulada negativa). Os principais recuos ocorreram em Vitória (-21,31%); Porto Alegre (-20,92%), Rio de Janeiro (-20,68%) e Florianópolis (-20,30%). Sete cidades tiveram elevações acentuadas, caso de Recife (50,55%), João Pessoa (37,59%), Salvador (33,77%) e São Paulo (32,64%). A redução da colheita da principal safra plantada no final do ano passado provocou a elevação dos preços. A entrada no mercado – nos próximos meses - das safras de reposição deve elevar a oferta e permitir a redução do preço.

A carne, produto com maior contribuição para o custo da cesta, ficou mais cara em

11 capitais. As maiores altas ocorreram em Vitória (5,91%), Natal (5,64%) e Manaus (3,43%). Em seis regiões os preços regrediram como em Curitiba (-2,05%) e Goiânia (-2,77%). Nos últimos 12 meses, a carne teve alta em 14 capitais, principalmente em Aracaju (14,13%), Natal (9,36%), Vitória (8,20%) e São Paulo (6,47%). Houve retração em João Pessoa (-0,39%), Fortaleza (-2,10%) e Goiânia (-8,87%). Ocorreu aumento da demanda pela carne brasileira por parte do mercado externo, o que gerou alta do preço, repassada para os consumidores internos. O início da entressafra devido à estiagem pode provocar nova elevação, em especial se a demanda dos importadores da carne brasileira for crescente. O aumento pode ser minimizado com a substituição do consumo da carne vermelha pela de frango.

O pão apresentou alta moderada em 10 capitais, as mais significativas registradas em Natal (3,64%), Rio de Janeiro (2,40%) e Aracaju (2,39%). Em Fortaleza, João Pessoa e Curitiba, os preços não se alteraram na comparação mensal. Houve retração em Porto Alegre (-0,70%), Recife (-1,09%), Florianópolis (-1,18%) e Goiânia (-1,56%). No período anual, o pão encareceu em nove localidades, com destaque para Aracaju (9,51%), Manaus (3,61%) e São Paulo (3,48%). Houve estabilidade em Belo Horizonte e Fortaleza. As maiores quedas ocorreram em Porto Alegre (-3,88%) e Natal (-6,90%). O trigo está relativamente estável no mercado internacional, e não deve exercer pressão nos preços internos. No caso da farinha de trigo, cujo preço é acompanhado nas nove localidades do Centro-Sul do país, todas apresentaram queda em 12 meses, com taxas variando de -16,23%, no Rio de Janeiro a -6,19%, em São Paulo.

A batata, pesquisada também no Centro Sul, teve elevação em seu preço em oito localidades, com variações bastante intensas, lideradas por Porto Alegre (49,01%), Curitiba (47,98%) e Florianópolis (34,22%), enquanto em Brasília a variação foi negativa (-4,46%).

Na comparação com abril do ano passado, houve aumento em todas as localidades pesquisadas. A única variação pouco significativa ocorreu em Goiânia (0,50%) enquanto nas demais o aumento superou 39%, e chegou a 74,60%, em Curitiba; 66,23%, em Florianópolis; 61,83%, em Porto Alegre e 60,36%, no Rio de Janeiro.

Dentre os itens que tiveram predomínio de queda de preço, um dos destaques foi o arroz que ficou mais barato tanto na comparação mensal quanto na anual. Onze capitais apresentaram pequena retração em relação aos valores de março, com destaque para Brasília (-4,46%). Houve estabilidade em São Paulo e Florianópolis e elevação em quatro cidades, em especial, em Aracaju (5,76%) e Rio de Janeiro (5,04%). Nos últimos 12 meses, o arroz ficou mais barato em 13 cidades, principalmente em Belém (-13,74%), Natal (-8,21%), Recife (-7,06%) e Aracaju (-7,01%). Não houve alteração em São Paulo e aumentos foram apurados no Rio de Janeiro (5,49%), Porto Alegre (3,24%) e Curitiba (1,12%). As boas safras em várias regiões brasileiras seguraram o preço deste bem.

O óleo de soja voltou a ter predomínio de queda em abril, comportamento apurado para 16 localidades. Apenas em Fortaleza ocorreu pequeno aumento (0,35%). Os maiores recuos foram observados em Goiânia (-8,72%), Belém (-7,12%) e Salvador (-5,00%).

Também nos últimos 12 meses, o óleo ficou mais barato em 16 cidades, com variações entre -0,35%, em Porto Alegre a -12,72%, em Goiânia. Em Fortaleza houve alta de 8,65%.

As safras da soja foram expressivas em todo mundo e há estoques suficientes para conter os preços.

 

São Paulo

 

O custo da cesta de alimentos básicos em São Paulo atingiu R$ 261,39, o segundo maior dentre as 17 capitais acompanhadas pelo DIEESE. Em abril, o custo da cesta subiu 3,01%. No primeiro quadrimestre do ano o aumento chega a 14,55% e em 12 meses atinge 15,85%.

A maior parte dos 13 produtos pesquisados ficou mais cara em abril, com os principais destaques para o feijão carioquinha (46,30%) e a batata (18,91%). Também subiram leite in natura integral (4,61%), farinha de trigo (2,63%), carne bovina de primeira (2,12%), banana nanica (1,38%) e pão francês (1,13%). O tomate (-9,05%), o café em pó (-1,11%), o açúcar refinado (-0,84%), a manteiga (-0,52%) e óleo de soja (-0,45%) ficaram mais baratos, enquanto o arroz agulhinha tipo 1 teve seu preço estabilizado.

Em comparação com abril de 2009, nove itens subiram: açúcar (62,33%), tomate (51,80%), batata (45,98%), feijão (32,64%) foram os principais responsáveis pela alta da cesta. Também tiveram aumento leite (12,41%, manteiga (10,06%), banana (8,00%), carne (6,47%) e pão (3,48%). Houver redução no preço da farinha de trigo (-6,19%), óleo de soja (-5,91%) e café (-5,04%). O arroz não apresentou alteração.

O trabalhador paulistano remunerado pelo salário mínimo (R$ 510,00) precisou trabalhar, em abril, 112 horas e 45 minutos para comprar os mesmos itens que, em março, exigiam o cumprimento de 109 horas e 27 minutos e em abril de 2009 requeriam a realização de 106 horas e 45 minutos.
Resultado semelhante é observado quando é feita a comparação entre o custo da cesta alimentar e o salário mínimo líquido – após o desconto da parcela referente à Previdência Social. Em abril último, o custo da cesta representava 55,71% do mínimo líquido, percentual superior ao de março (54,08%) e ao de abril de 2009 (52,74%).