94% dos acordos salariais na construção têm reajuste acima da inflação
12 de maio de 2010 | Autor: Folha Online
Fonte: Folha Online

Apesar dos reflexos da crise financeira internacional no país e de seu impacto no setor da construção civil, os trabalhadores de empresas de construção e mobiliário conseguiram reajustes salariais acima da inflação em 94% das 68 negociações coletivas realizadas no ano passado.

 

O resultado é inferior ao observado em 2008, quando 97% dos acordos salariais na construção obtiveram aumentos reais. Os reajustes conquistados no setor da construção são melhores, no entanto, se comparados às negociações de outras categorias profissionais analisadas no balanço dos acordos salariais de 2009, em que 80% dos 692 acordos obtiveram aumentos reais.

 

Os dados constam de estudo setorial da construção civil divulgado hoje pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), que analisa os reajustes concedidos aos trabalhadores em comparação com a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O indicador, calculado pelo IBGE, é o mais usado nas negociações entre empregados e empregadores.

 

Das 68 negociações realizadas pelos trabalhadores da construção civil no ano passado, 64 ficaram acima do INPC; 1 teve desempenho igual ao indicador e 3 não conseguiram repor as perdas da inflação --duas delas foram na região Centro-Oeste e uma na região Norte. A única negociação com reajuste igual ao do INPC aconteceu na região Sul.

 

A maior parte dos aumentos reais concedidos nos acordos salariais dos trabalhadores da construção civil no ano passado está no intervalo entre 0,01% e 1,5% acima da inflação e foi concedida a trabalhadores da região Sudeste (30 negociações tiveram reajustes acima da inflação).

 

Os dados do Dieese mostram ainda que, no ano passado, foram criados 177.185 empregos com carteira assinada no setor da construção civil --resultado menor do que o verificado em 2008, quando a criação de vagas formais chegou a 197.868. "Vale ressaltar que em 2008 a construção teve o maior crescimento dos últimos 11 anos (11,94%), enquanto em 2009 o setor sofreu forte impacto da crise financeira mundial, gerando mesmo assim mais empregos que em 2007", avalia o estudo.

 

Para este ano, a previsão é que o emprego com carteira assinada deva crescer cerca de 8%. De janeiro a março deste ano o setor da construção abriu 127.694 novas vagas. A ocupação que registra o maior saldo entre as contrações e as demissões entre janeiro de 2009 e fevereiro deste ano é a de servente de obras, com 153.204 novos postos formais de trabalho. Em seguida, está a de pedreiro com 20.230.