Dieese revela que inflação volta a pesar mais para baixa renda
10 de maio de 2010 | Autor: Agência Estado
Fonte: Agência Estado

Levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na sexta-feira (7), mostrou que a taxa de inflação para a população de menor poder aquisitivo foi, pelo segundo mês seguido, mais expressiva que a da população de maior renda na capital paulista. Conforme a pesquisa, realizada por meio do Índice do Custo de Vida (ICV), enquanto a variação média do indicador foi de 0,22%, o índice específico para os mais pobres registrou taxa de 0,52%, no mês de abril. Já o indicador que engloba o custo de vida dos mais ricos apresentou variação bem menos significativa no mês passado, de 0,11%.

Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três índices de inflação, segundo os estratos de renda das famílias da cidade de São Paulo. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49); o segundo às famílias com nível intermediário de rendimento (média de R$ 934,17); e o terceiro reúne as famílias com maior renda (média de R$ 2.792,90).

Em abril, os três índices apresentaram taxas menores. No primeiro estrato, o ICV foi 0,36 ponto percentual inferior à variação de 0,89% do mês anterior. No terceiro, de maior renda, a taxa de inflação foi 0,21 ponto inferior à de março. No grupo intermediário, o ICV passou de 0,62% para 0,29%.

O Dieese destacou que variações de preços nos grupos Alimentação e Habitação têm maior impacto para as famílias com menor renda e as alterações em Transporte, Educação e Saúde afetam mais aquelas com maior poder aquisitivo.

Em abril, o reajuste no grupo Alimentação, que apresentou alta de 0,75%, afetou mais as famílias de menor poder aquisitivo, em virtude do peso deste subgrupo nos orçamentos domésticos. As contribuições nos cálculos das taxas foram maiores para quem tem menor renda: 0,36 ponto percentual para as famílias de menor poder aquisitivo; 0,27 ponto para o estrato intermediário; 0,14 ponto para as famílias de maior renda.

No grupo Saúde, que apresentou alta média de 0,91%, os impactos foram de 0,19 ponto percentual para a inflação das famílias com menor renda; de 0,14 ponto para as do estrato intermediário; e de 0,10 ponto para as famílias mais ricas. "O motivo destes impactos está na elevação dos preços dos medicamentos [elevação média de 5,23%], que têm peso maior no orçamento das famílias de menor renda", salientaram os técnicos do Dieese.

Houve ainda queda média de 1,05% no grupo Transporte. As famílias de maior renda sofreram maior impacto (baixa de 0,20%) do que as de baixo poder aquisitivo (- 0,05%). No estrato intermediário, o alívio gerado para a inflação foi de 0,15%.