Os trabalhadores e o novo Brasil
27 de maio de 2010 | Autor: CDI
Fonte: CDI

É inegável que o movimento sindical tem contribuído de forma efetiva para a construção de um país mais justo, igualitário e com oportunidades para todos. Toda a força acumulada pelos trabalhadores e o respeito que conquistamos perante a sociedade nos últimos anos derivam da maturidade alcançada pelos dirigentes sindicais. Respeitando as diferenças, conseguimos construir uma unidade de ação através das centrais sindicais. Esta união foi a grande propulsora das mudanças implementadas no País nos últimos anos.

Por isso, nos sentimos parte importante desta nova forma de governar. Lula inaugurou um modelo mais democrático, sensível aos anseios dos necessitados e voltado para o conjunto do povo, mudando ainda mais a face do nosso país. O Brasil encontrou o seu rumo, nosso povo recuperou a sua autoestima e estamos convencidos de que este é o caminho a ser seguido. Contudo, sabedores de que a realidade não é estática, temos plena consciência de que é possível avançar ainda mais, e que este avanço depende da nossa ação.

Com base nestas premissas, as centrais sindicais CGTB, CUT, Força Sindical, CTB e Nova Central realizarão, no dia 1º de junho, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora. Mais 30 mil dirigentes sindicais de todo país, representando 5 mil sindicatos e, pelo menos, 30 milhões de trabalhadores, estarão unidos para debater e construir uma pauta unitária que expresse os principais anseios dos trabalhadores. A conferência é um novo salto de qualidade na unidade de ação dos trabalhadores. Ela representa o coroamento de um ciclo e a inauguração de uma nova era, em que os dirigentes sindicais realmente comprometidos com o país e com o povo marcharão unidos para consolidar um modelo que enterrou as perversidades do neoliberalismo; criou mais de 14 milhões de empregos, possibilitou acesso às universidades para 600 mil jovens, filhos de trabalhadores, e que tirou mais de 24 milhões de brasileiros da pobreza.

Nosso povo está seguro e não será ludibriado. Estaremos reafirmando a luta para fortalecer o Estado, aprofundando seu papel de alavanca do desenvolvimento e impulsionador dos investimentos produtivos privados. Não foi de outra forma que descobrimos o pré-sal, este mar de petróleo que deverá promover o fim das desigualdades e ser utilizado para fomentar investimentos em novas tecnologias, em educação e na estruturação de uma cadeia nacional de derivados de petróleo.

Nosso programa unitário - a ser apresentado à sociedade, em especial aos candidatos à Presidência da República - dirá que não queremos regressar para uma política internacional dos pés descalços, mas que precisamos manter uma ação externa soberana, pró-ativa e multilateral, que colocou um ponto final na submissão humilhante às grandes potências.

Se a política apoiada pelas centrais garantiu o aumento real de quase 60% no salário mínimo, evitou que o País afundasse na crise internacional, garantiu o direito de negociação aos servidores públicos através da ratificação da Convenção 151 e reduziu significativamente os juros, lutaremos agora pela redução da jornada, pelo fim do Fator Previdenciário e pelo aumento real do salário mínimo em 2011.

Queremos disciplinar a terceirização, com aprovação da lei discutida em comum acordo entre as centrais e o Ministério do Trabalho; liberdade de organização no local de trabalho; fim das práticas antissindicais do Ministério Público do Trabalho; ratificação da Convenção 158; financiamento público para o desenvolvimento da indústria nacional; participação do Estado na produção nos setores estratégicos; fim dos leilões na área do pré-sal; proteção da economia nacional; redução maior dos juros; controle cambial; redução do superávit primário e controle da remessa de lucros.

Temos clareza de quem está comprometido com estas bandeiras e quem não está. Mas a maior manifestação unitária dos trabalhadores depois de 30 anos será um grande combustível para que a energia popular ajude a manter a locomotiva do desenvolvimento nos trilhos, sem desvios e sem retrocessos.