Centrais denunciam “mentiras” de Serra
16 de julho de 2010 | Autor: Visaooeste.com.br
Fonte: Visaooeste.com.br

Cinco centrais sindicais se uniram e divulgaram, no último dia 10, um manifesto repudiando o que chamam de “mentiras” do candidato tucano José Serra (PSDB-SP), nesta campanha eleitoral, sobre temas trabalhistas.

Intitulado “Serra: impostura e golpe contra os trabalhadores”, o texto é assinado pelos presidentes de CGTB (Antonio Neto), CTB (Wagner Gomes), CUT (Artur Henrique), Força Sindical (Miguel Torres, em exercício) e Nova Central (José Calixto Ramos).

O manifesto afirma que “o candidato José Serra (PSDB) tem se apresentado como um benemérito dos trabalhadores, divulgando inclusive que é o responsável pela criação do FAT e por tirar do papel o seguro-desemprego”.

De acordo com as centrais, o candidato tucano “não fez nenhuma coisa, nem outra” e “tanto no Congresso Nacional quanto no governo sua marca registrada foi atuar contra os trabalhadores”.
 
O manifesto esclarece que o seguro-desemprego foi criado pelo decreto presidencial nº 2.284, de 10 de março de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney. E o FAT, pelo Projeto de Lei nº 991, de 1988, do deputado Jorge Uequed (PMDB-RS).

As centrais também divulgaram como Serra votou na Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988), sempre contra os trabalhadores.

Sua atuação na Constituinte mereceu nota 3,75 do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

“Lucro fácil”
Com o objetivo de “dividir e enfraquecer os trabalhadores e propiciar o lucro fácil das empresas”, José Serra, ainda segundo o manifesto das centrais, apresentou a proposta nº 16.643, “para permitir a proliferação de vários sindicatos por empresa, cabendo ao patrão decidir com qual sindicato pretendia negociar”. A proposta do tucano foi derrotada.

“É por essas e outras que Serra, enquanto governador de São Paulo, reprimiu a borrachadas e gás lacrimogênio os professores (...) e jogou a tropa de choque contra a manifestação de policiais civis”, afirma o documento.

Como Serra votou na Constituinte
a) não votou pela redução da jornada de trabalho para 40 horas;
b) não votou pela garantia de aumento real do salário mínimo;
c) não votou pelo abono de férias de 1/3 do salário;
d) não votou para garantir 30 dias de aviso prévio;
e) não votou pelo aviso prévio proporcional;
f)  não votou pela estabilidade do dirigente sindical;
g) não votou pelo direito de greve;
h) não votou pela licença paternidade;
i)  não votou pela nacionalização das reservas minerais.

Tucano pede desculpas à Globo

Suzana Vier
Da Rede Brasil Atual

José Serra, candidato do PSDB à presidência, esteve na quarta-feira, 14, na UGT (União Geral dos Trabalhadores). A única central que não esteve no encontro dos trabalhadores no início de junho.

Serra foi vaiado uma única vez, quando falou sobre o Corinthians, arquirrival de seu time do coração, o Palmeiras. Mas tampouco arrancou suspiros. A cada frase do candidato, manifestações espalhadas pelo auditório tentavam “dialogar” com o candidato.

No tema educação, os burburinhos lembravam os problemas da área em São Paulo. Se a questão era concessão de aeroportos ou rodovias, lembravam que o termo é, na verdade, sinônimo de privatização, palavra da qual Serra foge a todo custo. Se eram críticas ao custo de transporte, a queixa era em relação aos pedágios.

Mas nem isso causou mais estranheza do que o pedido de desculpas do candidato a um jornalista da Rede Globo que cobria o evento. O repórter havia feito uma pergunta sobre juros que desagradou o candidato.

Serra emendou: “De onde você é?”

Repórter: “Da Rede Globo.”

Serra: “Ah, então desculpas.”

Um repórter ao lado não aguentou: “Você ouviu essa? Ele pediu desculpas porque o cara é da Globo”.