Novas fontes de energia ameaçam a segurança alimentar
08 de julho de 2010 | Autor: Radioagência NP
Fonte: Radioagência NP

Enquanto não existe consenso a respeito da produção de energia a partir de produtos agroecológicos, a Zona da Mata, no estado do Pernambuco, é tomada por canaviais e plantações de mamona. Para o integrante da Via Campesina, José Cláudio da Silva, a preocupação exagerada com a matriz energética colocou a produção de alimentos em segundo plano.

“Temos que pensar naquela população que está ali em volta, nos camponeses, na produção agrícola e na biodiversidade. Se não for pensado dessa maneira, continuaremos gerando mais impactos sociais. É impossível pensar em produzir energia, sem pensar na produção de alimentos.”

José Cláudio lembra que a produção de agroenergia é centrada na grande propriedade, na monocultura e na exploração da mão-de-obra. Ele defende uma matriz energética integrada à cadeia produtiva da agricultura familiar, capaz de gerar menos impactos.

“É incompatível pensar em produzir mamona apenas para uma grande processadora. Pode-se pensar em pequenas unidades de beneficiamento, que possibilitasse a utilização disso nas máquinas utilizadas no meio rural, como tratores e, também, a possibilidade de se utilizar em forrageiras e casas de farinha.”

A matriz energética brasileira é tema de uma série de debates promovidos pelo jornal Brasil de Fato e pela Petrobrás. As potencialidades e desafios do modelo de produção e consumo foram debatidos no último dia 6 de junho, no município de Caruaru (PE). Participaram representantes de movimentos sociais, especialistas em agroenergia e agricultores do assentamento Normandia. O próximo debate será realizado em Maceió (AL), no dia 12 de julho.