Mesmo com desaceleração, indústria permanece otimista, diz CNI
28 de julho de 2010 | Autor: Valor Online
Fonte: Valor Online

 Embora a indústria brasileira tenha registrado uma desaceleração no segundo trimestre, a sondagem promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada hoje mostra que os empresários continuam com expectativas otimistas para os próximos meses. A pesquisa foi realizada com 1,3 mil empresas (771 pequenas, 393 médias e 189 grandes) pelo período de 30 de junho a 20 de julho.

De acordo com a CNI, a expectativa dos empresários em relação à demanda para os próximos seis meses continua positiva, ao registrar 63,5 pontos - acima da média histórica de 59,7. Já a avaliação feita sobre a exportação, no mesmo período, atingiu 52,2 pontos.

"O segundo trimestre foi mais fraco. A expectativa para o terceiro trimestre é de continuar crescendo, mas não de forma tão acentuada quanto foi o primeiro", afirmou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

Ele ressaltou que a desaceleração da economia se deve à retirada dos incentivos fiscais e recuperação lenta do mercado externo que tem desfavorecido a exportação e estimula a entrada de produtos importados.

O levantamento feito pela CNI mostra que as empresas industriais pretendem aumentar a contratação de trabalhadores. Mesmo com 1,5 ponto menos que abril, o indicador de junho ainda permanece acima de 50 pontos, com 55,9.

As empresas industriais também se mostraram otimistas na pesquisa em relação às previsões de compras de matérias-primas, registrando 60,9 pontos. A entidade avalia que esta constatação se deve à expectativa positiva sobre o crescimento da demanda.

"Vai continuar havendo investimento, contratação de trabalhadores e compras de matéria-prima dentro da indústria mantendo aquecida a cadeia produtiva", afirmou Fonseca ao se referir à avaliação positiva da indústria.

Ao responder sobre a produção industrial, as empresas consultadas indicaram que, em junho, esta evolução se manteve estável. Neste sentido, foram registrados 51,8 pontos no mês passado, ante aos índices de 54,9 de maio e 51 de abril.

No entanto, a CNI indicou o descontentamento da indústria brasileira com as margens de lucro operacional. O nível de insatisfação - abaixo de 50 pontos - caiu de 48,1 para 46,8 pontos, na comparação entre o primeiro e o segundo trimestre.

Quanto à situação financeira, a avaliação é positiva (52,1 pontos) no segundo semestre, embora tenha caído 1,1 ponto em relação ao trimestre anterior . A avaliação sobre o acesso ao também crédito permaneceu negativa, com 45,5 pontos.

Juros

Fonseca destacou que há uma preocupação forte da indústria brasileira com a política monetária no País. Segundo ele, embora o Banco Central tenha aumentado a taxa de juros para conter a demanda, a indústria tem mostrado que tem conseguido acompanhar este ritmo, pois o estoque não tem caído e a capacidade instalada se mantém em "nível usual".

"A manutenção da política de elevação de juros por muito tempo pode levar à reversão da expectativa otimista do empresário. Com isso, ele vai investir menos e contratar menos. Isso vai reduzir, ainda mais, o ritmo de crescimento da economia", disse Fonseca em coletiva na sede da CNI.