Redução do preço de alimentos básicos continua pelo terceiro mês
08 de agosto de 2010 | Autor: DIEESE
Fonte: DIEESE



Desde maio, na maioria das capitais onde é realizada mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – vem registrando predomínio do número de localidades com redução no custo do conjunto de produtos alimentícios essenciais. Em julho, 16 das 17 cidades pesquisadas apresentaram queda, com destaque para Rio de Janeiro (-6,60%), Belo Horizonte (- 5,86%) e para as capitais do Sul do país: Curitiba (-4,86%), Florianópolis (-4,75%) e Porto Alegre (-4,22%). Apenas em Belém (0,05%) houve pequena variação positiva.

A exemplo do que ocorreu em junho, também em julho a capital com o maior custo para os produtos alimentícios essenciais foi São Paulo, onde a cesta básica custou R$ 239,38. Porto Alegre registrou o segundo maior valor (R$ 237,67) e Manaus o terceiro (R$ 233,00). As cestas mais baratas foram encontradas em Aracaju (R$ 181,04), Fortaleza (R$ 181,73) e João Pessoa (R$ 191,17).

Com base no maior custo verificado para a cesta básica, e levando em conta a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em julho, o mais baixo salário pago no país deveria ser de R$ 2.011,03, o que corresponde a 3,94 vezes o mínimo em vigor, de R$ 510,00. Estes valores são menores que os apurados para junho, quando o mínimo necessário foi estimado em R$ 2.092,36 (4,10 vezes o piso em vigor). Em julho de 2009, o DIEESE calculava o valor necessário em R$ 1.994,82, ou 4,29 vezes o mínimo então em vigor, de R$ 465.

 

Variações acumuladas

Apenas duas cidades apresentaram, nos sete primeiros meses de 2010, variação negativa para o preço dos produtos alimentícios essenciais: Brasília (-0,47%) e Rio de Janeiro (-0,12%). Os maiores aumentos ocorreram em Recife (17,23%), Goiânia (12,63%), Natal (12,29%) e João Pessoa (12,04%).

Em 12 meses - no período entre agosto de 2009 e julho de 2010 -, duas capitais, Manaus (-0,38%) e Fortaleza (-0,21%) registraram variação acumulada negativa, enquanto Porto Alegre (0,09%) e Rio de Janeiro (0,12%) apresentaram pequena alta. Os maiores aumentos foram encontrados em Goiânia (9,96%), Manaus (8,16%) e Belém (6,75%).

 

Cesta x salário mínimo

Para adquirir uma cesta básica, o trabalhador que ganha salário mínimo precisou cumprir, em julho, uma jornada de 91 horas e 50 minutos, na média das 17 capitais onde o DIEESE pesquisa os preços dos alimentos básicos. Em junho, a mesma compra exigia a realização de 94 horas e 56 minutos, enquanto em julho do ano passado era necessário o cumprimento de 97 horas e 12 minutos.

A mesma situação é observada quando se considera o percentual do salário mínimo líquido (após o desconto da parcela correspondente à Previdência) exigido para a aquisição dos produtos essenciais. Em julho, o custo da cesta básica comprometia, na média das 17 capitais, 45,37% do mínimo líquido, enquanto em junho eram necessários 46,90%. Em julho de 2009, 48,02% do rendimento líquido eram necessários para a mesma aquisição.

 

Comportamento dos preços

A redução generalizada no custo da cesta básica deveu-se, principalmente, à queda no preço do tomate, açúcar e, no Centro-Sul do país, da batata.

O preço do tomate caiu, em julho, em todas as 17 capitais pesquisadas, com destaque para cidades do Centro-Sul, como o Rio de Janeiro (-41,77%). A menor retração ocorreu em Belém (-1,27%). Em 12 meses, houve queda no preço do produto em nove localidades, em especial em Brasília (-27,46%), Rio de Janeiro (-18,99%) e Porto Alegre (-16,29%). Fortaleza (13,85%) e Belém (13,04%) tiveram os maiores aumentos, dentre as oito regiões com alta.

O açúcar – produto derivado da cana, que está em plena safra – registrou recuo em seu preço em 15 capitais, em especial em Aracaju (-26,03%) e Brasília (-20,47%). Na comparação com julho de 2009, porém, 16 capitais apresentaram, este ano, preços maiores, com os principais aumentos apurados em Brasília (41,80%) e Belém (40,88%). A menor elevação foi constatada em Salvador (1,12%) e a única redução deu-se em Aracaju (-4,14%). A boa safra, favorecida pelo clima mais seco aumentou a oferta do produto, determinando a redução do preço.

Todas as nove capitais do Centro-Sul do país onde a batata é pesquisada apresentaram redução em julho, em sete delas com taxas superiores a 10%, como no caso de Belo Horizonte (-28,21%). A menor variação foi apurada em Curitiba (-2,90%). Em um ano, no entanto, sete capitais registraram alta, as mais acentuadas em Goiânia (20,89%) e Brasília (17,50%). As reduções ocorreram em Belo Horizonte (-4,85%) e Porto Alegre (-7,11%). O tempo mais firme permitiu uma colheita maior, o que forçou a redução do preço em julho. Ainda há possibilidade de recuo, uma vez que algumas localidades ainda apresentam fortes altas anuais.

Doze cidades apontaram redução no preço do leite em julho, a maior registrada em Brasília (-11,95%). Não houve alteração em Aracaju e as principais altas ocorreram nas capitais da região Norte: Manaus (1,76%) e Belém (1,63%). Em relação a julho de 2009, 14 localidades indicaram queda, as maiores anotadas no Rio de Janeiro (-22,73%), Vitória (-21,52%) e Porto Alegre (-20,64%). Em Goiânia, o mesmo preço médio foi encontrado nos dois meses de julho.

Pequenas altas foram observadas em Belém (0,81%) e Aracaju (2,47%).

Pão e óleo de soja foram os itens que apresentaram comportamento altista de maneira mais abrangente. No primeiro caso, o aumento verificou-se em 10 localidades e para o óleo de soja, em nove.

A elevação no preço do óleo foi relativamente pequena, e de maneira geral, em patamar semelhante, variando entre 1,74%, em Florianópolis e 0,46%, em Belo Horizonte. Quatro capitais registraram estabilidade e quatro, retração, a maior verificada em Vitória (-2,52%). Em relação a julho de 2009, o preço do produto caiu em 16 cidades, com destaque para Salvador (-11,86%), Belo Horizonte (-10,98%), Aracaju (-10,24%) e João Pessoa (-10,22%). A única alta ocorreu em Fortaleza (11,20%).

O maior aumento do pão foi anotado em Natal (3,70%). Houve estabilidade em Belém e a maior redução foi apurada em João Pessoa (-2,53%). Também em 12 meses, houve aumento em 10 capitais, em especial em São Paulo (4,99%), Vitória (4,97%), Manaus (4,37%) e Goiânia (4,27%). Os preços não se alteraram em Aracaju e Brasília e das cinco localidades que registraram retração, Natal apresentou a mais expressiva (-3,08%).

Em relação à variação anual de preços, merece ainda registro o comportamento apurado para carne e o feijão, que tiveram aumento em 16 capitais.

A carne – produto de maior peso na composição da cesta – teve as altas anuais mais expressivas observadas em Goiânia (11,34%), Curitiba (8,77%), Salvador (6,12%) e Natal (6,03%) e as menores em Belém (0,56%) e Belo Horizonte (1,31%). A única queda ocorreu em Fortaleza (-5,09%). Os dados do mês mostram nove localidades com retração, a maior apurada em Aracaju (-2,16%) e oito com alta, a mais significativa, de 2,90%, registrada em Brasília. Com a entressafra, houve redução do abate que, juntamente com o bom volume de exportações, impediu maior queda no preço, que pode ocorrer com um aumento de chuva nas regiões produtoras, com melhoria das pastagens e engorda do gado.

No caso do feijão, apesar de redução em nove cidades, em julho – a maior em Recife (-5,58%) -, estabilidade em duas (Rio de Janeiro e João Pessoa) e alta em seis, as maiores em Fortaleza (14,47%) e Manaus (11,36%), as variações anuais continuam muito elevadas, em pelo menos dez cidades das 16 regiões onde os preços subiram. Os maiores aumentos ocorreram em Goiânia (71,23%), Natal (65,63%), Aracaju (52,15%) e Recife (51,70%), todas capitais onde é pesquisado o preço do feijão de cores. Em cidades onde é acompanhado o preço do feijão preto as variações foram menores, e foi anotada estabilidade em Vitória e alta de 1,92%, no Rio de Janeiro. Como o preço do produto ainda está elevado, muitos agricultores têm ampliado as áreas de cultivo do feijão, o que deverá determinar o aumento da oferta e ter como consequência, o barateamento do produto.

 

São Paulo

A capital paulista teve, em julho, o maior custo para o conjunto de produtos alimentícios essenciais, cujo valor chegou a R$ 239,38. Em comparação com junho, houve queda de 3,89%; neste ano, os gêneros básicos subiram 4,90%, enquanto em relação a julho do ano passado a variação acumulada é de 5,37%.

Nove dos 13 produtos pesquisados em São Paulo registraram redução em seu preço, em julho. Tomate (-23,03%) e batata (-13,33%) tiveram as maiores quedas. Açúcar refinado (-6,19%), feijão carioquinha (-2,80%), leite in natura integral (-2,25%), farinha de trigo (-2,22%), arroz agulhinha tipo 1 (-1,44%), café em pó (-0,81%) e carne bovina de primeira (-0,38%) completam a lista dos itens cujos preços caíram. Altas foram apuradas para o pão francês (1,45%), óleo de soja (1,38%), banana nanica (0,43%) e manteiga

(0,31%).

Na comparação com julho de 2009, cinco produtos apresentaram queda em seus preços: leite (-14,42%), farinha de trigo (-8,97%), óleo de soja (-5,98%), café (-3,78%) e tomate (-3,31%). Oito itens tiveram elevação no período, caso do feijão (42,85%), açúcar (25,52%), batata (15,42%), banana (9,61%), arroz (6,22%), carne (5,37%), pão (4,99%), e manteiga (0,24%).

A aquisição dos produtos essenciais requereu, em julho, do trabalhador paulistano remunerado pelo salário mínimo (R$ 510,00) o cumprimento de uma jornada de 103 horas e 16 minutos. Em junho, a mesma compra demandava a realização de 107 horas e 26 minutos. Em julho de 2009, a aquisição comprometia 107 horas e 29 minutos.
Também quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido – após o desconto da parcela referente à Previdência Social - verifica-se a mesma situação: em julho deste ano, a compra da cesta representava 51,02% do valor recebido pelo trabalhador, enquanto em junho eram necessários 53,08% e em julho de 2009 o comprometimento correspondia a 53,10%.