Cesta básica reduz 1,32% em Natal
18 de agosto de 2010 | Autor: DIEESE
Fonte: DIEESE

A capital potiguar teve, em julho, o custo para o conjunto de produtos alimentícios essenciais, de R$ 208,92. Em comparação com junho, houve queda de 1,32%. Neste ano, os gêneros básicos subiram 12,29% enquanto em relação a julho do ano passado a variação acumulada é de 4,17%.


Sete dos 12 produtos pesquisados em Natal registraram redução em seu preço, em julho. Banana (-7,78%) e tomate (-6,18%) tiveram as maiores quedas. Leite (-3,13%), óleo (-1,98%), café em pó (-1,52%), feijão carioquinha (-1,35%), e açúcar (-0,99%) completam a lista dos itens cujos preços caíram. Altas foram apuradas para o pão francês (3,70%), manteiga (1,18%), farinha (0,98%) e carne bovina (0,36%). Houve estabilidade no preço do arroz.

 

Alimentação Básica da Família Natalense Custa R$ 626,76

Considerando uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto), o custo da cesta básica, para o sustento dessa mesma família durante um mês, conforme calculado pelo DIEESE, foi de R$ 626,76 contra os R$ 635,16 no mês de junho. O custo do mês de julho é equivalente a aproximadamente 1,22 vezes o salário mínimo bruto de R$ 510,00.
Comprometimento do Salário Mínimo com a Cesta Básica em Natal é de 44,53%
Para adquirir uma cesta básica na capital norte-rio-grandense, no mês de julho o trabalhador natalense que ganha um salário mínimo comprometeu 44,53% do seu rendimento líquido: R$ 469,20 - após o desconto de 8,0% referente à contribuição previdenciária. Em junho, o custo da cesta representava 45,12% do valor do mínimo líquido.


A aquisição dos produtos essenciais requereu, em julho, do trabalhador natalense remunerado pelo salário mínimo (R$ 510,00) o cumprimento de uma jornada de 90 horas e 07 minutos. Em junho, a mesma compra demandava a realização de 91 horas e 20 minutos. Em julho de 2009, a aquisição comprometia 94 horas e 53 minutos. 


Salário Mínimo Necessário é de R$ 2.011,03


Com base no maior custo verificado para a cesta básica, e levando em conta a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em julho, o mais baixo salário pago no país deveria ser de R$ 2.011,03, o que corresponde a 3,94 vezes o mínimo em vigor, de R$ 510,00. Estes valores são menores que os apurados para junho, quando o mínimo necessário foi estimado em R$ 2.092,36 (4,10 vezes o piso em vigor). Em julho de 2009, o DIEESE calculava o valor necessário em R$ 1.994,82, ou 4,29 vezes o mínimo então em vigor, de R$ 465.

 

Comportamento dos preços

A redução no custo da cesta básica deveu-se, principalmente, à queda no preço do tomate, açúcar e, no Centro-Sul do país, da batata.


O preço do tomate caiu, em julho, em todas as 17 capitais pesquisadas (Tabela 2), com destaque para cidades do Centro-Sul, como o Rio de Janeiro (-41,77%). A menor retração ocorreu em Belém (-1,27%). Em 12 meses, houve queda no preço do produto em nove localidades, em especial em Brasília (-27,46%), Rio de Janeiro (-18,99%) e Porto Alegre (-16,29%). Fortaleza (13,85%) e Belém (13,04%) tiveram os maiores aumentos, dentre as oito regiões com alta.


O açúcar – produto derivado da cana, que está em plena safra – registrou recuo em seu preço em 15 capitais, em especial em Aracaju (-26,03%) e Brasília (-20,47%). Na comparação com julho de 2009, porém, 16 capitais apresentaram, este ano, preços maiores, com os principais aumentos apurados em Brasília (41,80%) e Belém (40,88%). A menor elevação foi constatada em Salvador (1,12%) e a única redução deu-se em Aracaju (-4,14%). A boa safra, favorecida pelo clima mais seco aumentou a oferta do produto, determinando a redução do preço.


Todas as nove capitais do Centro-Sul do país onde a batata é pesquisada apresentaram redução em julho, em sete delas com taxas superiores a 10%, como no caso de Belo Horizonte (-28,21%). A menor variação foi apurada em Curitiba (-2,90%). Em um ano, no entanto, sete capitais registraram alta, as mais acentuadas em Goiânia (20,89%) e Brasília (17,50%). As reduções ocorreram em Belo Horizonte (-4,85%) e Porto Alegre (-7,11%). O tempo mais firme permitiu uma colheita maior, o que forçou a redução do preço em julho. Ainda há possibilidade de recuo, uma vez que algumas localidades ainda apresentam fortes altas anuais.


Doze cidades apontaram redução no preço do leite em julho, a maior registrada em Brasília (-11,95%). Não houve alteração em Aracaju e as principais altas ocorreram nas capitais da região Norte: Manaus (1,76%) e Belém (1,63%). Em relação a julho de 2009, 14 localidades indicaram queda, as maiores anotadas no Rio de Janeiro (-22,73%), Vitória (-21,52%) e Porto Alegre (-20,64%). Em Goiânia, o mesmo preço médio foi encontrado nos dois meses de julho. Pequenas altas foram observadas em Belém (0,81%) e Aracaju (2,47%).


Pão e óleo de soja foram os itens que apresentaram comportamento altista de maneira mais abrangente. No primeiro caso, o aumento verificou-se em 10 localidades e para o óleo de soja, em nove.


A elevação no preço do óleo foi relativamente pequena, e de maneira geral, em patamar semelhante, variando entre 1,74%, em Florianópolis e 0,46%, em Belo Horizonte. Quatro capitais registraram estabilidade e quatro, retração, a maior verificada em Vitória (-2,52%). Em relação a julho de 2009, o preço do produto caiu em 16 cidades, com destaque para Salvador (-11,86%), Belo Horizonte (-10,98%), Aracaju (-10,24%) e João Pessoa (-10,22%). A única alta ocorreu em Fortaleza (11,20%).


O maior aumento do pão foi anotado em Natal (3,70%). Houve estabilidade em Belém e a maior redução foi apurada em João Pessoa (-2,53%). Também em 12 meses, houve aumento em 10 capitais, em especial em São Paulo (4,99%), Vitória (4,97%), Manaus (4,37%) e Goiânia (4,27%). Os preços não se alteraram em Aracaju e Brasília e das cinco localidades que registraram retração, Natal apresentou a mais expressiva (-3,08%).


Em relação à variação anual de preços, merece ainda registro o comportamento apurado para carne e o feijão, que tiveram aumento em 16 capitais.
A carne – produto de maior peso na composição da cesta – teve as altas anuais mais expressivas observadas em Goiânia (11,34%), Curitiba (8,77%), Salvador (6,12%) e Natal (6,03%) e as menores em Belém (0,56%) e Belo Horizonte (1,31%). A única queda ocorreu em Fortaleza (-5,09%). Os dados do mês mostram nove localidades com retração, a maior apurada em Aracaju (-2,16%) e oito com alta, a mais significativa, de 2,90%, registrada em Brasília. Com a entressafra, houve redução do abate que, juntamente com o bom volume de exportações, impediu maior queda no preço, que pode ocorrer com um aumento de chuva nas regiões produtoras, com melhoria das pastagens e engorda do gado.


No caso do feijão, apesar de redução em nove cidades, em julho – a maior em Recife (-5,58%) -, estabilidade em duas (Rio de Janeiro e João Pessoa) e alta em seis, as maiores em Fortaleza (14,47%) e Manaus (11,36%), as variações anuais continuam muito elevadas, em pelo menos dez cidades das 16 regiões onde os preços subiram. Os maiores aumentos ocorreram em Goiânia (71,23%), Natal (65,63%), Aracaju (52,15%) e Recife (51,70%), todas capitais onde é pesquisado o preço do feijão de cores. Em cidades onde é acompanhado o preço do feijão preto as variações foram menores, e foi anotada estabilidade em Vitória e alta de 1,92%, no Rio de Janeiro. Como o preço do produto ainda está elevado, muitos agricultores têm ampliado as áreas de cultivo do feijão, o que deverá determinar o aumento da oferta e ter como consequência, o barateamento do produto.