RN gera mais de 18 mil vagas
17 de setembro de 2010 | Autor: Tribuna do Norte
Fonte: Tribuna do Norte

O aquecimento da economia e de setores como a construção civil ajudou o Rio Grande do Norte a aumentar o ritmo de contratações no mercado de trabalho e a gerar, entre janeiro e agosto deste ano, 18.052 novos empregos com carteira assinada, um número que  sinaliza forte recuperação se comparado com 2009, quando o total de trabalhadores demitidos foi maior, superando em 4.844 o de contratados, nesse mesmo período. Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e mostram, ainda, que o saldo do estado foi o quinto maior da região, atrás dos registrados na Bahia (80.678), no Ceará (50.377), em Pernambuco (41.677) e no Maranhão (25.327). Em agosto, o saldo potiguar chegou a 6.786 e se destacou como o terceiro que mais cresceu no país, em relação a julho, com um avanço de 1,86%.

No acumulado do ano, os números mostram que o Rio Grande do Norte não só recuperou o ritmo como está em pleno crescimento, diz a gerente da Unidade de Economia da Federação das Indústrias, Sandra Lúcia Barbosa Cavalcanti, ressaltando a retomada da atividade industrial como uma das responsáveis pelo desempenho. E não é a toa. Mais de 59% das vagas preenchidas no estado, desde o início do ano, foram geradas pela atividade, incluindo nesse número as contratações da construção civil. Isoladamente, o peso da construção também se destaca.  Em oito meses, este ano, o setor respondeu por 49% das vagas na indústria e por 31% de todas as vagas geradas no estado.

A razão de tanto aquecimento é simples, de acordo com o economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Zivanilson Teixeira e Silva. “Se a construção civil vai bem o mercado de trabalho vai bem. E é isso o que está acontecendo agora. O estado está vivendo um boom imobiliário, com a construção de novos prédios incentivada pelo programa do governo (o Minha Casa, Minha Vida)”, observa.    “Mas é interessante destacar que não é só a construção civil que está contratando. Todos os setores estão abrindo vagas. Há uma retomada plena da geração de emprego”, analisa a economista.

O setor de serviçostambém demonstrou aquecimento em 2010 e respondeu pela contratação de 5.325 pessoas, o segundo melhor desempenho entre as atividades  do estado. Junto com o comércio, empregou  44% do total contratado no período. “O mês de agosto tem o Dia dos Pais e já começam a ser feitas as primeiras contratações temporárias visando o final de ano, daí o bom resultado”, afirma o presidente do Sistema Fecomercio RN, Marcelo Queiroz.

Estado foi um dos que mais cresceram

Os dados do Caged mostram que, em agosto, o saldo de empregos no Rio Grande do Norte - a diferença entre o total de contratados e o de demitidos - está entre os que mais cresceram no país, na comparação com julho. Mas, em relação a agosto do ano passado, o volume de contratações pouco avançou, o que, em parte, é explicado pelo desempenho do setor agropecuário. De acordo com o assessor da secretaria de Assalariados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RN (Fetarn), Francisco Joseraldo Medeiros do Vale, o setor sucroalcoleiro e a fruticultura não estão contratando como antes. Um reflexo dessa situação é que enquanto em agosto de 2009 as empresas agropecuárias assinaram a carteira de 2.119 pessoas, o número este ano ficou em 1.383.

No caso do setor sucroalcoleiro, os trabalhadores estariam perdendo cada vez mais espaço para a mecanização. Para se ter uma ideia do cenário, uma grande usina do setor, que costumava empregar algo em torno de 2 mil cortadores de cana de açúcar durante a safra, este ano não deverá empregar mais do que 400. “A usina vai cortar cana com 12 máquinas. E uma máquina substitui mais de 100 homens. Para onde vai essa mão de obra?”, questiona Vale. Ele explica que a  mecanização tem sido um meio encontrado de aumentar a velocidade da produção e de acabar com a queima da palha da cana (processo utilizado para facilitar o corte). “Não somos contra esse ganho ambiental. Mas somos a favor de manter o emprego do trabalhador ou de que sejam arranjadas alternativas para que não fique desempregado. Para que seja feita reforma agrária, para que tenha assistência técnica e possa ganhar a vida”.

 Mesmo que em ritmo reduzido, a safra da cana de açúcar tem ajudado a puxar as contratações no setor, que encerraram o mês com saldo positivo. “O início da safra sucroalcoleira reflete em mais contratações não só no campo, mas também na produção do segmento industrial de alimentos e bebidas, com a abertura de vagas na produção de álcool e açúcar”, diz a gerente da Unidade de Economia da Fiern, Sandra Cavalcanti. Em agosto, a indústria potiguar contratou um total de 3.112 novos trabalhadores. “A indústria também começa nesse período a manufaturar as encomendas do comércio para o final do ano”, observa.