Para cientista político, processo eleitoral é desequilibrado
23 de setembro de 2010 | Autor: O Estado de S.Paulo
Fonte: O Estado de S.Paulo

O cientista político Antonio Spinelli, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, avalia que as oligarquias do Estado tornam o processo eleitoral desequilibrado pelas posições econômica e política e pelo comando da mídia.
"Eles (os grupos familiares) têm uma posição forte pelo próprio poder político, econômico e o comando dos meios de comunicação", analisa o professor. Ele destaca que José Agripino Maia (DEM), Garibaldi Alves Filho (PMDB) e Wilma de Faria (PSB) - os dois primeiros tentam a reeleição no Senado e a última, seu primeiro mandato na Casa - passaram, juntos, mais de 30 anos no governo do Estado, já que cada um teve dois mandatos de governador.

"E em todas as três administrações ocorreram escândalos. No caso de Agripino foi o episódio do "rabo de palha" (quando governador ele teria supostamente instruído cabos eleitorais a comprar votos de eleitores pobres). Garibaldi Filho foi o episódio da venda da Cosern (estatal de energia elétrica que foi vendida em sua gestão). O governo Wilma de Faria teve escândalos, inclusive envolvendo o filho dela (Lauro Maia, candidato a deputado estadual, réu em ação criminal sobre esquema fraudulento de licitações na Secretaria de Estado da Saúde). Nesse aspecto, a história de dizer que são ficha limpa pega porque a memória do povo é curta, mas nenhum tem ficha limpa nesse sentido", comenta Antônio Spinelli.

História. Ele destacou que a predominância das oligarquias nas eleições de 2010 no Rio Grande do Norte não pode ser comparada ao próprio fenômeno oligárquico da história. "As oligarquias do passado estavam muito ligadas à questão do coronelismo, onde a propriedade da terra e a relação de dependência entre proprietário e trabalhador conferiram ao proprietário uma relação que ia além da econômica e permeava as relações pessoais e políticas", lembra o cientista político.

Spinelli observa que o fenômeno oligárquico no Rio Grande do Norte, com os coronéis, sofreu a grande queda com a chegada de Aluízio Alves ao governo na década de 60. "Ele era de um grupo familiar forte, mas já não representava a oligarquia tradicional dos coronéis. O governo de Aluízio foi o último inovador do Rio Grande do Norte. De lá para cá não teve nenhum governo que se caracterizasse pela agenda de reforma e mudança", frisa.

O professor lembra ainda que a presença de grupos familiares na política não é exclusividade do Estado. "Mas claro que no Rio Grande do Norte o que impressiona mesmo é que são muitos. Seis (famílias) no pleito é muito. Essas famílias se reproduzem no poder e nessa medida reforça a posição econômica e social", completa.