Inflação pode 'agravar' negociações salariais, diz BC
10 de maio de 2011 | Autor: G1
Fonte: G1

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, disse nesta terça-feira (10) que a tradicional “a queda de braço” entre empregados e patrões por negociações salariais, que normalmente acontece no segundo semestre do ano para algumas categorias profissionais expressivas, será “agravada” este ano pela aceleração da inflação acumulada.

A inflação acumulada pelo IPCA em 12 meses - que ficou em 6,51% na medição terminada em abril e ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo governo - serve para indexar alguns desses salários e, de acordo com Mendes, pode complicar mais as negociações.

O IPCA – inflação oficial que acumulou variação de 6,51% em 12 meses terminado em abril, extrapolando assim o teto da meta do governo – serve de referência para alguns reajustes de salário. "De fato isso torna um pouco mais complexo o quadro quando você tem uma inflação acumulada mais alta", afirmou.

Por outro lado, avalia Mendes, a tendência de recuo da inflação presente daqui em diante, poderá ajudar a equilibrar essa queda de braço, já que pode servir de argumento para que os sindicatos patronais negociem reajustes menores que o total da inflação passada.
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“O que nós vamos assistir é, de fato, uma tradicional queda de braço, eventualmente agravada se tiver a inflação para trás mais alta. Minimizada, por outro lado, se nós temos inflação corrente mais baixa, o que pode dar argumento para o lado patronal dizer ‘olha, eu estou concorrendo no mercado, como eu vou conseguir repassar tudo isso depois?’. Não será fácil, todo ano é momento de alguma tensão em alguns setores, mas existem esses dois fatores que estarão na mesa”, disse Mendes.

'Pior já passou'
O diretor do BC disse ainda acreditar que o pior da inflação ficou em abril, quando subiu 0,77%, e deverá apresentar taxas menores a partir de maio. "Nossa expectativa é de que o pior momento da inflação provavelmente ficou em abril, a gente vai ver índices mais baixos daqui para a frente", afirmou Mendes, que atribui à queda da inflação a fatores sazonais e a um comportamento "mais favorável" dos preços das commodities.