Presidente enfia os pés pelas mãos, intranqüiliza trabalhadores, sem mostrar soluções
19 de maio de 2011 | Autor: Jornal Linha Viva - Eletricitários do RJ
Fonte: Jornal Linha Viva - Eletricitários do RJ



Em infeliz entrevista a “O Globo” publicada nesta quarta-feira (18 de maio), o presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, anuncia a “demissão de 300 funcionários” —ainda que seja através de um programa de Demissão Voluntária (PDV) — e investir “US$ 700 milhões” com o objetivo de reduzir o prejuízo de suas distribuidoras.

A direção do Sintergia discorda frontalmente das declarações do Sr. José Costa porque investimento não rima com demissões, muito pelo contrário, e é lamentável que trabalhadores paguem pela irresponsabilidade de gestões que foram incompetentes para levar adiante o projeto de recuperação das distribuidoras.

Esta declaração, no momento em que as empresas do Sistema Elétrico discutem seu Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) pode soar ainda como ameaça e de certa forma se alinha à posição dos representantes da holding à mesa de negociação, que negaram todas as cláusulas constantes da pauta de reivindicações dos trabalhadores.

O Sindicato defende o PDV, desde que parta do pressuposto de que seja um prêmio para os antigos funcionários e, ao mesmo tempo, sirva para oxigenar a empresa através da contratação de novos trabalhadores concursados e não apadrinhados.

Falar agora em cortar custos utilizando o recurso neoliberal das demissões imotivadas é tentar encobrir a incompetência generalizada de gestores e apadrinhados politicamente que sempre estiveram à frente destas empresas.

Se o Sr. José Costa quer cortar custos deveria olhar para o próprio umbigo e começar pelo corte de assessores sem função determinada e apadrinhados. Estes, por sinal, representam um círculo vicioso dentro da empresa porque, uma vez trazidos nas sucessivas trocas na presidência, permanecem na empresa após a saída destes, onerando a folha de pessoal.

Definitivamente, não é cortando minguadas horas extras que o Sr. José Costa vai resolver o problema das distribuidoras e é lamentável constatar que o presidente da Eletrobrás não tenha uma proposta que estimule os trabalhadores a enfrentarem os inúmeros desafios que temos pela frente para tornar o Brasil um País definitivamente desenvolvido e que premie quem trabalhe e produza.

Dar entrevistas citando apenas a frieza dos números é mascarar o presente, esconder o passado e comprometer o futuro.