Presidente da Light culpa terceirização de equipes técnicas pelos incidentes com bueiros no Rio
30 de junho de 2011 | Autor: O Globo
Fonte: O Globo

O presidente da Light, Jerson Kellman, disse, em entrevista à Rádio CBN, que a terceirização das equipes técnicas, responsáveis pela manutenção das câmaras subterrâneas, pode ser a culpada pelos incidentes que têm acontecido com bueiros na cidade. Na última terça-feira, chamas que saíram de uma câmara assustaram moradores e pedestres que passavam pela Rua Senador Vergueiro, no Flamengo, na Zona Sul do Rio . Um telefone público foi queimado e os bairros de Laranjeiras e Botafogo, além do Flamengo, ficaram sem luz.


- O sistema subterrâneo da Light foi instalado nos anos 1950 e 1960, e agora apresenta sinal de velhice. Durante muito tempo não deu problema para os clientes e nem para a empresa, e acabou renegado a segundo plano. Também houve terceirização das equipes técnicas e a Light perdeu o controle da memória tecnica - explicou, acrescentando que "a frequência de eventos que assusta a população está como nunca antes visto. É grave".

Como medidas mais urgentes para evitar outros acidentes, Kellman disse que a empresa acabou com o serviço técnico terceirizado nas galerias subterrâneas e está priorizando a reforma das instalações nas câmaras onde existam transformadores.

- Este ano gastaremos três vezes mais do que do ano passado e dez vezes mais do que a média dos anos anteriores.

Sobre o incidente no Flamengo, o presidente da Light disse que houve erro técnico, mas garante que não aconteceu explosão.

- O que tinha era uma caixa pequena de junção imersa no material asfáltico. Quando tem curto-circuito, o material esquenta muito. Na falta de orientação, o eletricista não esperou esfriar e abriu a tampa. Em contato com o oxigênio do ar, saiu a labareda. Foi uma coisa lamentável, mas não ofereceu risco a nenhum pedestre, já que a área estava isolada.

Já sobre a multa de R$ 1 milhão por cada acidente com bueiros que o Ministério Público está propondo, Kellman afirma que a Light ainda está tentando um acordo.

- Estamos em negociação com o MP, que abriu uma ação contra a Light. Os detalhes do que está no acordo, não me recordo.

Na quarta-feira, a Light informou que contratou mais de 250 eletricistas para reforçar o quadro de funcionários e que um plano de prevenção prevê, até o fim de 2011, a manutenção e substituição de equipamentos, como transformadores, além da ampliação do número de inspeções na rede subterrânea.

No sábado, a Light também negou que tenha havido explosão em duas caixas subterrâneas em Copacabana, que deixaram interditado um trecho da Rua Constante Ramos. A empresa alegou que houve apenas o deslocamento de tampas de dois bueiros, e que de um terceiro saiu apenas fumaça. Segundo a empresa, o problema aconteceu por causa de um curto circuito num cabo de baixa tensão, mas não houve feridos nem corte de energia na região.

Na semana passada, as concessionárias CEG e Light foram condenadas a indenizar em R$ 23.120,00, por danos morais, materiais e estéticos, Vanessa Batista da Costa, queimada após a explosão de um bueiro enquanto caminhava pela Avenida Rio Branco, na esquina com a Avenida Araújo Porto Alegre, no Centro do Rio, em 2007 . A informação foi antecipada por Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO . Vanessa teve queimaduras de 1º e 2º graus em várias partes do seu corpo.

No domingo passado, um bueiro explodiu na Rua Conde de Bonfim, altura da Rua Uruguai, na Tijuca, Zona Norte. Segundo o delegado-adjunto da 19ª DP (Tijuca), Leonardo Luís Macharet, um funcionário que estava trabalhando próximo ao bueiro da Light ficou ferido. Ele teve 40% do corpo queimado e foi levado para o Hospital do Andaraí. Peritos estiveram no local para tentar descobrir o que causou a explosão. A Light, por sua vez, informou que houve "uma ocorrência na rede subterrânea.

No dia 1º de junho, um outro bueiro explodiu na cidade. Foi na esquina das ruas da Constituição e Gomes Freire, no Centro . Ninguém saiu ferido. Segundo a Light, a causa foi um curto-circuito na caixa na qual passam cabos que transmitem energia elétrica em baixa tensão. As chamas chegaram a seis metros de altura e foram filmadas por pelo leitor Carlos Puig .

No fim do mês de maio, um bueiro de ferro foi alçado a uma altura de quatro metros na esquina da Rua Bolívar com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana , em Copacabana, Zona Sul, abrindo uma cratera de seis metros de diâmetro e destruindo pelo menos duas pistas da via.

O caso mais grave registrado por explosão de bueiro no Rio deixou dois turistas americanos feridos em Copacabana . A estudante Sara Nicole Lowry, de 28 anos, teve 80% do corpo queimado e passou quase dois meses hospitalizada. Já o marido dela, David McLaugheim, teve queimaduras em 35% do corpo. Segundo testemunhas, Sara foi arremessada a uma distância de cerca de oito metros pela força do estouro.