ELETROBRAS ADOTA MODELO QUE PRIVILEGIA SETOR PRIVADO
13 de julho de 2012 | Autor: FNU
Fonte: FNU

Com o vencimento de concessões em 2015 e 2017, fala-se da redução de receita, caso haja renovação onerosa visando à modicidade tarifária. Ora, se as empresas que vêm liderando e financiando o processo de expansão – as estatais – perderiam receita, e elas são instrumento estratégico do governo para garantir expansão da infraestrutura energética do país, de onde virão os recursos para esse financiamento? Não é possível que o atual modelo do setor elétrico continue a elevar os preços de energia aos consumidores, mas não sejam remunerados devidamente os investimentos presentes e futuros realizados, garantindo a continuidade da expansão.

 

Nesse sentido, ao se comparar a Receita Operacional Líquida (ROL) entre empresas estatais e privadas, devese ter em mente as diferenças de estrutura entre elas, principalmente a forma como toda a capacidade instalada é vendida e remunerada. Além disso, é imprescindível considerar as respectivas funções que desempenham para o setor elétrico nacional. Sem as estatais do setor, ele poderá ter a pujança compatível com a economia forte que se quer para o Brasil?

 

Nesse caso, é inevitável questionar: será que o real problema do grupo Eletrobrás é o seu “P”, ou o fato de estar inserido em um modelo que penaliza as estatais em favorecimento de empresas privadas que intermediam a compra de energia a preços baixos e sua venda a preços mais elevados, sem que sequer operem – como muitas térmicas – mas apenas intermedeiem contabilmente a compra em leilões a preço baixo e a venda por meio de contratos garantidos de fornecimento?