8 DE MARÇO
07 de março de 2013 | Autor: FNU/CUT
Fonte: FNU/CUT

A proposta de criar uma data internacional para celebrar as lutas e as conquistas das mulheres em todo o mundo surgiu em 1910, na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas. No entanto, a definição do 8 de março ocorreu alguns anos depois, em 1921, na Conferência Internacional de Mulheres Comunistas. Oficializado a partir de 1922, o 8 de março passou a simbolizar um conjunto de ações de mulheres que, cotidianamente, lutam por transformações no mundo do trabalho e na sociedade. 

 

 A FNU sempre esteve na vanguarda da luta das mulheres. Suas gestões sempre contemplaram a participação feminina que culminou com a criação da Secretaria da Mulher Urbanitária, por entender que a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, passa obrigatoriamente pelo fim da discriminação e a promoção da igualdade de oportunidades, inclusive de salários que ainda são menores que os dos homens. 

 

Dados apontam que as mulheres trabalhadoras tiveram remuneração 28% inferior a dos homens na mesma função, mesmo as com nível de escolaridade igual ou maior. A situação se agrava quando observamos o critério étnico/racial. 

 

Hoje, diante dos desafios colocados para os setores de saneamento e energia, a participação da mulher nos sindicatos é indispensável para somar esforços na luta, por exemplo, contra a privatização da água, representada pelo projeto de Parceria Público-Privada que está sendo discutido e posto em prática nos Estados. É importante ressaltar que em regra no dia a dia é a mulher quem cuida dos hábitos das crianças e da limpeza da casa, portanto, a precarização dos serviços de saneamento, o aumento abusivo de tarifas, passa por ela.  

 

No setor de energia a renovação das concessões através da sanção da MP 579, apesar de defendida pela FNU, foi feita de forma unilateral por parte do Governo, sem levar em consideração as contribuições da Federação e dos sindicatos. O resultado foi muito ruim para os (as) trabalhadores (as) que estão com seus postos de trabalho ameaçados, em função da redução da capacidade econômica das empresas. Portanto, a resistência as consequencias dessa ação do Governo deve ser encarada por homens e mulheres, que estão na ponta desse processo e que estão ameaçados (as) em serem demitidos (as) das empresas do Sistema Eletrobras através de planos de redução de pessoal, após anos de trabalho. 

 

Contra a violência e por uma maior participação feminina nas esferas de poder

 

A promulgação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que já completou 7 anos, foi uma grande conquista, pois reconhece a violência contra a mulher como crime e não como assunto privado. Porém, são necessárias a implantação e ampliação de políticas públicas de combate e prevenção destas práticas. Nos locais de trabalho, os assédios moral e sexual são algumas das formas de violência contra a mulher a serem combatidas, destacando que a tecnologia tem trazido novas formas de violência, a exemplo do assédio pela internet. 

 

O Dia internacional da Mulher deve ser encarado como um momento de profunda reflexão pelas trabalhadoras, pois apesar dos inegáveis avanços alcançados, muito ainda deve ser feito para que se tenha uma participação que reflita a sociedade brasileira em sua totalidade e não apenas uma parcela da população. 

 

Assumir o papel de protagonista nas ações políticas é uma tarefa da geração atual de mulheres e das futuras que estão nos bairros, nos movimentos sociais, no campo, nas fábricas, escritórios, escolas e universidades. 

 

Afinal, a violência contra a mulher, não só empobrece as mulheres, mas também as suas famílias e a sociedade.