Os leilões de privatização do setor elétrico estão volta: vai ganhar quem empregar menos trabalhadores!
08 de maio de 2013 | Autor: FNU
Fonte: FNU

Como se sabe, o processo de privatização do setor elétrico brasileiro durante o período neoliberal foi um fracasso, que levou o País ao apagão em 2001. Quando empresas do setor são privatizadas é comum os novos concessionários promoverem a demissão em massa da mão de obra existente. Funcionários capacitados para o trabalho com a energia elétrica, com anos de experiência, dão lugar, então, a terceirizados que muitas vezes sem treinamento e condições de trabalho acabam se tornando as maiores vítimas dos elevados padrões de riscos de acidentes graves e fatais. Além disso, os serviços de má qualidade provocam a elevação dos custos decorrentes de problemas ainda mais graves como o risco de apagões.

E energia é estratégica. Por isso defendemos a renovação das concessões do setor elétrico, evitando a privatização de empresas estaduais e federais. O papel das empresas estatais do setor elétrico é fundamental para o País voltar a crescer de forma sustentável, com soberania, empregos, energia a preço justo, e ampliando a democracia social.

O modelo definido para as próximas licitações no setor (regulamentado pelas portarias 117 e 123, do Ministério de Minas de Energia), além de não se preocupar com o futuro dos milhares de trabalhadores dessas concessões, quer leiloar a preços indignos os bens adquiridos com o trabalho e esforço nacional de milhões de brasileiros dessa e de gerações passadas.

A maneira como foram reduzidas as tarifas de energia elétrica, para o setor produtivo e também para os consumidores residenciais (ainda que em menor proporção), tem que ser revista. A integridade do sistema elétrico brasileiro, de suas empresas e de milhares

de empregos, não pode ser comprometida por medidas temporárias de incentivo ao setor industrial e de controle da inflação. Pois, além de não existirem garantias de que as tarifas não voltarão a crescer, nada impede que a redução dos custos do setor produtivo seja apropriada

como lucro pelos grandes empresários. De fato, até o momento não se vê o repasse dessa redução no preço final dos produtos. Pelo contrário, os preços continuam altos e a produção industrial parece não decolar.