Com Lula, centrais farão homenagem a trabalhadores que lutaram contra ditadura
29 de janeiro de 2014 | Autor: CUT Nacional
Fonte: CUT Nacional

A CUT e representantes das demais centrais sindicais que compõem o Grupo de Trabalho (GT) Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical da Comissão Nacional da Verdade homenagearão no próximo sábado (1º), em São Bernardo do Campo, a partir das 13h, sindicalistas vítimas do regime militar. 

 

Sob o título “Unidos, Jamais Vencidos”, o ato será realizado no Teatro Cacilda Becker, no Paço Municipal de São Bernardo, região central da cidade (leia mais abaixo), com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho.

 

Cerca de 400 trabalhadores indicados pelas entidades sindicais receberão um diploma em reconhecimento à luta em defesa da democracia e da liberdade. O espaço ainda receberá exposições sobre o período para marcar o repúdio aos 50 anos do golpe militar. As centrais sindicais apresentarão uma carta ao povo brasileiro

 

Na última quarta-feira (29), durante a última reunião preparatória para o encontro, o secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, destacou a importância da mobilização em defesa da memória, da justiça e da reparação em um ano simbólico para as vítimas do regime militar.

 

“A CUT nasceu combatendo a ditadura e lutando pela abertura democrática, junto com os seus sindicatos fundadores, como o dos Metalúrgicos do ABC, que protagonizou um processo de tomada das ruas e de questionamento à repressão. As organizações sindicais foram as primeiras a serem atingidas pelo golpe, porque são fortes, organizadas, havia um Comando Geral de Trabalhadores, que funcionava como uma entidade sindical livre, sob os princípios que ainda defendemos. Além das atrocidades, o golpe trouxe arrocho salarial e o fim da estabilidade no emprego e esses retrocessos também vamos lembrar neste ano”, apontou.

 

Também presente no encontro, o diretor da Associação dos Metalúrgicos Aposentados Anistiados do ABC (AMA-A/ABC) Djalma Bom aponta que a escolha de São Bernardo se deu pelo simbolismo das lutas e das greves do passado e que o ato tem a missão de mostrar às novas gerações como a repressão também agiu contra o movimento sindical.

 

“Queremos que essa manifestação seja o pontapé para outros atos que repudiem qualquer tentativa de os ditadores comemorarem os 50 anos do golpe militar. Nosso objetivo também é homenagear os trabalhadores anônimos que participaram da luta e foram demitidos por justa causa, perseguidos, espancados. Além de sensibilizar a juventude, que parece totalmente alheia e não conhece a história de perseguição e repressão aos trabalhadores”, disse.

 

Brasil em dívida – Solaney citou ainda que, desde a abertura democrática, a CUT sempre luta pela instauração de uma comissão que tratasse da restauração da memória e da punição dos torturadores, como ocorreu na Argentina, no Chile, no Uruguai, no Peru. “Estamos atrasados nesse aspecto em 30 anos”, criticou.

 

Apesar disso, o dirigente é otimista quanto ao trabalho do GT dos trabalhadores e classifica a atuação desde que foi instaurado, em abril de 2013, como positiva. “A própria instituição do grupo já foi uma vitória, resultado de uma iniciativa da CUT, em reunião com a presidenta Dilma, que nos atendeu. Ao longo deste ano, elencamos os 11 pontos que fundamentaram o trabalho deste grupo, tomamos depoimentos e promovemos atos pelo Brasil afora. Agora, estamos trabalhando num processo importante do relatório do grupo e das recomendações”, explicou.

 

Em 2012, durante o 11º Congresso Nacional, a CUT realizou um ato simbólico de apoio à Comissão Nacional da Verdade e apresentou ao representante da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Gilney Viana, mais de 100 nomes de trabalhadores mortos durante a ditadura militar, cobrando apuração dos fatos e resposta às famílias.

 

Repressão e mobilização – De acordo com levantamento da Comissão Estadual da Verdade “Rubens Paiva”, de São Paulo, cerca de 50% de todos os mortos e desaparecidos no país eram trabalhadores, o equivalente a 250 pessoas.  

 

Em levantamento das centrais, a ditadura interviu em 400 organizações, somente no primeiro ano após o golpe de 1964 e, ao menos, 300 entidades foram alvo da repressão nos anos seguintes.