OIT revela que número de desempregados no mundo foi recorde em 2009: 212 milhões
26 de janeiro de 2010 | Autor: O Globo

Os reflexos da crise econômica levaram o mundo a atingir um número recorde de desempregados em 2009, de 212 milhões de trabalhadores, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgados nesta terça-feira. Isso significa que 34 milhões de pessoas a mais estavam desempregadas no ano passado, frente aos 185 milhões de 2008. A taxa de desemprego mundial foi de 6,6% em 2009, frente a 5,7% em 2007. A projeção da OIT é que o número de desempregados no mundo deve permanecer no mesmo nível em 2010.

"Com 45 milhões de jovens mulheres e homens entrando no mercado de trabalho global a cada ano, as medidas de recuperação devem mirar a criação de empregos para nossos jovens", disse o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, no seu relatório anual "Tendências Mundiais de Emprego".

Segundo Somavia, "fica claro que a prioridade política hoje em dia é evitar uma recuperação sem trabalho".

"Precisamos aplicar a mesma decisão política que em seu momento salvou aos bancos para salvar e criar postos de trabalho e ajudar as pessoas. Isto pode ser conseguido através da forte convergência entre as políticas públicas e o investimento privado", apontou.

Desemprego entre os jovens é mais que o dobro da média

Os jovens foram particularmente afetados pelo desemprego no ano passado. Ao todo, 83 milhões de trabalhadores de até 24 anos não tinham emprego em 2009, frente a 74 milhões em 2008 e 72,5 milhões em 2007. O aumento na passagem de 2008 para 2009 foi o maior desde 1991. A taxa de desemprego juvenil foi de 13,4% no ano passado, mais do que o dobro da taxa média de 6,6%.

O estudo também aponta grandes variações em nível regional e por país tanto em termos do impacto da crise como da recuperação do mercado de trabalho. Segundo a OIT, as medidas de estímulo coordenadas conseguiram evitar uma catástrofe social e econômica muito maior. No entanto, milhões de pessoas ao redor do mundo ainda não têm trabalho, benefícios de desemprego ou acesso a qualquer outro tipo de proteção social.

Nos países ricos - que considera países desenvolvidos e União Europeia -, por exemplo, a taxa de desemprego foi de 8,4% em 2009, com 42,8 milhões de trabalhadores sem emprego, frente a 6% em 2007. Estima-se que o número de desempregados na região aumentou em mais de 13,7 milhões entre 2007 e 2009, com um incremento de cerca de 12 milhões de desempregados somente em 2009. O emprego nos setores industriais foi mais afetado que o emprego na agricultura ou no setor de serviços.

Na Ásia, a taxa de desemprego permanece bem inferior. Estima-se que o desemprego se aproximou de 4,4% em 2009 na Ásia Oriental, com relação a 4,3% em 2008 e 3,8% em 2007. Uma rápida melhoria no mercado nacional da China, bem como seus efeitos positivos indiretos nos países vizinhos, ocasionaram uma melhora nas cifras econômicas e no mercado de trabalho para a região.

O relatório confirma ainda os dados já divulgados sobre o desemprego no Brasil. Como resultado da crise, aponta o documento, "a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas pesquisadas na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) (do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE) aumentou de 7,3% no quarto trimestre de 2008 para 8,6% no primeiro e segundo trimestres de 2009".

Segundo o dado mais recente do IBGE, a taxa de desemprego brasileira estava em 7,4% em novembro de 2009. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a taxa de desemprego no Brasil chegue a 8% em 2010, pouco abaixo da estimativa de 8,2% em 2009.