Um gargalo a ser resolvido
26 de janeiro de 2010

A pouca diversificação da economia e a rotatividade nas empresas levaram o Brasil e o Rio Grande do Norte a cultivar um ambiente propício a empregos de baixa qualidade, com salários que em pouco superam o mínimo. A análise é de economistas e de analistas de mercado, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Os números relativos a 2009 mostram que o estado registrou um saldo de 4,8 mil admissões a mais do que demissões no ano e que a maior parte dos trabalhadores foi contratada para ocupações como vendedor, operador de caixa, repositor de mercadorias, vigilante e jardineiro, com salários médios de admissão variando entre R$ 374,36 e R$ 605,01. “A baixa qualidade do emprego é um problema sério e um gargalo ao nosso desenvolvimento”, diz o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e  Estudos Socioeconômicos (Dieese) no estado, Melquisedec Moreira.

Júnior SantosA função de operador de caixa foi uma das que mais contrataram, com salário médio de R$ 485,90A função de operador de caixa foi uma das que mais contrataram, com salário médio de R$ 485,90
De acordo com o Caged, cerca de 55% das 20 ocupações com maiores saldos pagaram menos que R$ 500 como salário em 2009, ano em que o mínimo valia R$ 465. Segundo o economista Aldemir Freire, os números são um retrato da economia pouco diversificada do estado, onde há poucas atividades de ponta.

“O desejado seria que a participação de outras ocupações fosse maior. Que essas ocupações pagassem salários melhores, o que acabaria formando uma classe média mais forte e aumentaria o poder de consumo”, analisa ele. Moreira, do Dieese, lembra, porém, que essa realidade não é encontrada apenas no Rio Grane do Norte e é condizente com o modelo econômico do país.

“As ocupações estão em atividades com pouco conteúdo tecnológico, que acabam absorvendo pessoas com baixa qualificação e com baixa remuneração. Mesmo que os candidatos tenham boa qualificação não quer dizer que vão ter boa remuneração em função das vagas que surgem”, continua, defendendo mudanças no modelo. “O Brasil passou 25 anos sem crescer e isso travou a economia. Só o que crescia eram os setores de comércio e  serviços. Faltava um modelo de desenvolvimento que procurasse alterar as atividades produtivas. O salto na quantidade do emprego e  na qualidade do emprego depende agora de investimentos nas atividades produtivas de alto conteúdo tecnológico e para que tenhamos esses investimentos é necessário haver redução na taxa de juros, para estimular a  expansão dos negócios e a demanda por empregos mais qualificados”, analisa ainda o supervisor do Dieese.