Consumo de energia elétrica deverá crescer 7,4% este ano
26 de janeiro de 2010 Fonte: Estadão

O consumo de energia elétrica deverá recuperar em 2010 o ano perdido de 2009. A previsão é de um crescimento de 7,4% no consumo este ano, enquanto no ano passado houve uma queda de 1,1% na demanda nacional, informou ontem o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Segundo Tolmasquim, a redução no ano passado foi causada, principalmente, pela queda da atividade da indústria exportadora em razão da crise financeira internacional. "Em 2010, haverá a retomada da indústria", disse, calculando que o consumo de energia elétrica nas fábricas deverá aumentar 9,4% neste ano. Em 2009, a indústria consumiu 8% menos de energia do que em 2008.

Tolmasquim notou que, no ano passado, quem sustentou o consumo foram as residências e o comércio. "Em 2009, as famílias das classes D e E subiram de patamar de consumo." O consumo residencial do ano passado teve uma alta de 6,2%. Para este ano, a expectativa é de que as famílias consumam 5,3% a mais de energia. Já no comércio a alta esperada é de 6,6%, ante um crescimento de 6,2% verificado em 2009.

A alta no consumo já foi verificada no último mês do ano. Em dezembro, a demanda no país cresceu 8,4% sobre o último mês de 2008, revelou a resenha mensal sobre o mercado realizada pela EPE. As maiores altas em dezembro foram nos segmentos residencial e comercial, com taxas respectivas de 11,7% e 13,4%, ante o mesmo mês do ano retrasado. Já o segmento industrial cresceu 6,6% em dezembro ante o mesmo mês em 2008.

ALTA TEMPERATURA

Segundo a EPE, a temperatura foi o principal fator de estímulo ao consumo de energia elétrica no segmento residencial e comercial. No Rio, as altas temperaturas levaram o consumo a atingir ao máximo da capacidade ofertada pela distribuidora Light, o que tem provocado a apagões diários em várias partes da capital e sua região metropolitana. Na semana passada, 19 bairros ficaram sem luz por mais de 48 horas e o problema persiste em alguns pontos da cidade, com quedas de energia por períodos mais curtos.

"Como ressaltado ao longo do ano, o mercado brasileiro de energia elétrica sofreu forte impacto da crise financeira internacional, porém seus efeitos se concentraram na classe industrial, como consequência da imediata e profunda retração da atividade deste segmento", informou a EPE.