Movimentos sociais propõem mobilização eleitoral
30 de janeiro de 2010 | Autor: Folha de São Paulo
Fonte: Folha de São Paulo

Um calendário de mobilizações voltado às eleições de 2010 foi lançado ontem pela Assembleia de Movimentos Sociais do Fórum Social Mundial, incluindo uma reunião nacional para 31 de maio sob a palavra de ordem de "barrar a volta do neoliberalismo" ao País.

Conduzido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com forte presença de oradores do PC do B, o encontro no último dia da etapa gaúcha do fórum aprovou sem votação um documento que considera a mobilização da oposição contra o governo em 2005, na crise do mensalão, uma tentativa de golpe equiparada a outros episódios na América Latina, como na Venezuela, em 2002, e em Honduras, em 2009.

Apesar do tom do texto, organizadores demonstraram não temer a acusação de uso político-partidário do fórum. "Não temos medo, não", disse o sindicalista que comandou a reunião na Usina do Gasômetro, zona portuária da capital gaúcha, Antônio Carlos Spis, da Federação Única dos Petroleiros, filiada à CUT. "Estamos do lado do trabalhador, do movimento social, dos estudantes e não estamos preocupados com candidatura, mas com o possível avanço do neoliberalismo nessas eleições."

Spis afirmou que os movimentos vão construir um "projeto nacional e popular" para apresentar aos candidatos na assembleia nacional dos movimentos em maio, em São Paulo, além de uma conferência nacional dos trabalhadores em 1 de junho. "Duvido que qualquer candidato aceite nossa pauta. O primeiro ponto será a implementação da reforma agrária já", adianta Spis. "Queremos democratizar os meios de comunicação, quebrar a espinha dorsal da Globo, da Bandeirantes, do SBT. Essas coisas não vão acontecer. O pessoal tem receio."

Batizado de 10 anos de FSM - um outro mundo acontece!, o documento proposto pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) apresenta 38 bandeiras de luta. "As elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação. Sua principal arma hoje é a grande mídia e os grandes veículos de comunicação", diz o texto. "São esses organismos que funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Nesse sentido ganham força os movimentos de cultura livre que conseguem driblar o monopólio midiático e influenciar a opinião de milhares de pessoas e a necessidade do fortalecimento das rádios comunitárias", afirma o texto, que foi recebido com aplausos.

O documento, contudo, também recebeu críticas. "Acho complicado sair de um fórum de organizações sociais proclamando o Estado como solução", disse o diretor do Sindicato dos Professores de Campinas, José Roberto Cabrera.

A reunião, na Usina do Gasômetro, na zona portuária da capital gaúcha, depois de começar com mais 500 pessoas, terminou esvaziada, com menos da metade desse número. Uma passeata final, que iria do Gasômetro até a Assembleia, foi cancelada por falta de manifestantes.