OIT: emprego e trabalho decente já enfrentavam crise antes mesmo de turbulências econômicas
30 de janeiro de 2010 | Autor: O Globo
Fonte: O Globo



Paula Laboissière – 30/01/10

Salvador - A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou hoje (30) que a crise do emprego e do trabalho decente já existia antes mesmo do ápice da crise financeira internacional. Ao final de 2008, por exemplo, 200 milhões de pessoas estavam desempregadas e a metade das que estavam empregadas trabalhava recebendo menos de US$ 2 por dia. Outros 20% dos trabalhadores recebiam ainda menos e eram considerados extremamente pobres.

Ao participar do Fórum Social Mundial Temático da Bahia, a representante da OIT no Brasil, Laís Abramo, acredita que o que acontecia era um profundo processo de desvalorização do trabalho e de supervalorização do mercado financeiro. “Foi e está sendo uma crise de paradigmas”, acrescentou.

Mas, de acordo com Laís, a resposta da maioria dos países à crise financeira internacional teve um elemento em comum: a revalorização do papel do Estado e dos mercados internos. “Eles enfrentam a crise de uma forma diferente das crises anteriores, quando a resposta era o ajuste, a privatização”, explicou.

Ela avaliou que o Brasil, em particular, vem enfrentando a crise em condições bastante melhores do que em momentos anteriores. A saúde financeira do país, segundo Laís, está muito melhor e foi feita uma aposta na valorização do Estado, do mercado interno e da inclusão social.

“Para recuperar o crescimento econômico era necessário distribuir”, disse, ao citar iniciativas como o programa Bolsa Família, a Previdência e as políticas de salário mínimo. Segundo a OIT, apenas cinco países da América Latina trabalham com alternativas como o seguro desemprego. “Isso faz muita diferença na crise.”

Durante o evento, a representante do Ministério do Trabalho, Isa Simões, destacou uma das grandes preocupações do governo é a inserção de jovens no mercado de trabalho e a sua qualificação. Outra questão é o alto número de brasileiros que trabalham na informalidade. “Sabemos que ainda precisamos crescer muito”, afirmou.

“Outra questão é a jornada de trabalho, principalmente para as mulheres. Precisamos também, urgentemente, de propostas de mudanças em toda a estrutura sindical, principalmente na participação dos trabalhadores dentro das empresas e fábricas.”