Energia do RN é vendida à Cemig
30 de janeiro de 2010 | Autor: Tribuna do Norte
Fonte: Tribuna do Norte

O consórcio formado pelas empresas Bioenergy, Furnas e Eletronorte fechou a venda de 218 megawatts (MW) de energia eólica à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), um negócio de R$ 2,49 bilhões que vai viabilizar a implantação de nove novos parques de geração de energia a partir do vento, no Rio Grande do Norte. Os parques serão erguidos nos municípios de Galinhos, Guamaré, Caiçara do Norte e Pedra Grande, com investimento de R$ 1,2 bilhão. É a partir deles que o consórcio fornecerá energia à  Cemig. O contrato de fornecimento tem duração de 20 anos. Foi o primeiro contrato fechado no país, para venda de energia no mercado livre, aquele que não é regulado pelo governo.

Patrícia Cruz/LuzGovernadora Wilma de Faria recebeu confirmação do negócio ontem pelo presidente da Bioenergy, Sérgio MarquesGovernadora Wilma de Faria recebeu confirmação do negócio ontem pelo presidente da Bioenergy, Sérgio Marques
De acordo com o presidente da Bioenergy, Sérgio Marques, os empreendimentos estão todos licenciados e as primeiras movimentações de obra começarão em junho. A expectativa é que 30MW do total comecem a ser gerados em dezembro deste ano, que outros 150 MW entrem em operação em 2011 e o restante no ano seguinte. Em conjunto, os nove parques gerarão 854.356 MW de energia por ano e um faturamento anual de R$ 124,6 milhões para o consórcio, considerando o preço de venda do megawatt/hora, fechado em R$ 145.

No mercado livre de energia, os consumidores podem escolher o fornecedor de energia, negociando livremente um conjunto de variáveis como prazo contratual, preços, variação do preço ao longo do tempo e serviços associados à comercialização.  “No mercado livre precisamos praticar tarifas mais baixas, mas o nível de penalidade contratual é menor. Você ganha menos, mas corre menos risco”, diz Marques,  fazendo comparativo com o mercado regulado pelo governo.

Foi o empresário que confirmou os empreendimentos ontem à governadora Wilma de Faria, em São Paulo.  “O governo do estado está atuando desde meados do ano passado neste caso, acompanhando e apoiando a diversificação das formas de comercialização da energia eólica do nosso estado”, afirmou a governadora, após a reunião.

O leilão em que foi fechado o negócio entre o consórcio e a Cemig foi realizado às vésperas do primeiro leilão específico da fonte eólica no mercado regulado, no Brasil, em 14 dezembro de 2009.

 Na visão do secretário estadual de Energia, Jean-Paul Prates, o negócio não só abre mais um caminho para viabilizar a implantação de parques eólicos no Rio Grande do Norte, como projeta mais uma vez o estado nacionalmente, depois do leilão no mercado regulado, em que o estado se destacou como campeão geral em número de parques e megawatts negociados.

O consórcio integrado pela Bioenergy está entre os vencedores do leilão, com quatro empreendimentos e 162MW comercializados. Os planos do grupo são de implantar ao todo 600MW no Rio Grande do Norte até 2015, o que deverá exigir R$ 3 bilhões em investimentos no período. Desde 2001 a Bioenergy está investindo no estado. Foi nesse período que implantou as primeiras torres de medição. “Conhecemos muito bem os ventos do Rio Grande do Norte. Estamos fazendo medições também no Ceará e em Santa Catarina, mas os projetos do RN são os mais maduros da nossa carteira. É por isso que foi com eles que negociamos”, disse o presidente da Bioenergy, em entrevista à TN ontem.