Neoenergia se beneficia de atuação no Nordeste
29 de janeiro de 2010 | Autor: Administradores.com.br
Fonte: Administradores.com.br

Uma forte alta no lucro no quarto trimestre e o bom momento econômico vivido pelo Nordeste ajudaram a Neoenergia, controlada por Previ, Banco do Brasil e pela espanhola Iberdrola, a fechar 2009 com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, montante 7,6% maior que o ganho apurado em 2008.
Dona da concessão de três distribuidoras no Nordeste - Coelba (BA), Celpe (PE) e Cosern (RN) -, uma térmica em Pernambuco e detentora de participações societárias em 14 hidrelétricas, a Neoenergia teve receita líquida de R$ 6,9 bilhões, 10,7% superior aos R$ 6,2 bilhões de 2008. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) somou R$ 2,6 bilhões e a empresa fechou o ano com R$ 2,7 bilhões em caixa para realizar investimentos e aquisições. Isso depois de ter distribuído R$ 600 milhões em dividendos aos acionistas em 2009.
O lucro líquido do quarto trimestre, que colaborou muito para o resultado positivo do balanço do ano, foi de R$ 518 milhões, 26% maior que no último trimestre de 2008. O lajida trimestral somou R$ 830,1 milhões, 20,6% acima do apurado no quarto trimestre do ano anterior.
O presidente da Neoenergia, Marcelo Corrêa, atribuiu o aumento do lucro líquido e do lajida da companhia ao crescimento de 3,6% no volume de energia distribuída aos consumidores das três distribuidoras nordestinas. Embora a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tenha apurado queda de 1,1% no consumo de energia no país em 2009, houve alta no Nordeste. Além disso, as distribuidoras da Neoenergia tiveram um avanço de 4,4% na base de clientes por conta do Programa Luz Para Todos.
No ano passado, a Neoenergia investiu R$ 1,7 bilhão em distribuição e ampliação de seus ativos de geração. Em 2010 deverá continuar a focar em geração e estudar aquisições em ativos que possam dar retorno dentro de limites fixados pelos acionistas. Em 2009, a Neoenergia chegou a estudar a compra de participação na CPFL, mas desistiu. Em 2007, mostrou interesse pela AES Eletropaulo, mas o leilão foi suspenso pelo BNDES.
Este ano, Corrêa confirma que o grupo estuda participar de um consórcio para disputar a usina de Belo Monte. Negou, porém, que Vale, CPFL e Neoenergia já tenham fechado consórcio para disputar o negocio. Também confirmou que permanece nos planos dos acionistas da Neoenergia abrir capital na bolsa. "Mas isso só será feito se precisarmos reforçar nosso caixa para adquirir algum ativo. O que ainda não ocorreu."
Ao divulgar ontem os números do grupo em 2009, Corrêa evitou comentar informações que circularam no mercado de que a companhia estaria na mira de grupos nacionais interessados em seus ativos. Ele limitou-se a dizer que "a Neoenergia não está à venda". Para analistas do setor de energia, quem quiser dar um lance pelo grupo terá que estar disposto a desembolsar no mínimo R$ 20 bilhões.
No momento, a Neoenergia está trabalhando em duas frentes de novos projetos de geração. A companhia aguarda licença ambiental do Ibama e do órgão ambiental do Estado do Paraná para iniciar obras da hidrelétrica de Baixo Iguaçu, com potência de 350 MW, que ganhou em disputa com a Copel em 2008. Como a licença ainda não foi liberada, a Aneel ainda não assinou o contrato de concessão da obra. Para julho, Marcelo Corrêa prevê a entrada em operação da hidrelétrica de Dardanelos, em Mato Grosso, com potência de 261 MW, uma das maiores da Neoenergia.