Indústrias ameaçam não comprar energia de Belo Monte
22 de março de 2010 | Autor: Exame
Fonte: Exame

A pouco mais de um mês do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, os grandes consumidores industriais aumentaram a pressão sobre o governo. O grupo afirma que os riscos do modelo elétrico brasileiro impedirão a compra de energia de Belo Monte no chamado mercado livre - aquele em que o preço não é regulado. "Os riscos dos subsistemas inviabilizam a participação das indústrias", afirma Ricardo Lima, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). Entre seus associados, estão pesos-pesados do capitalismo brasileiro, como a Vale, Gerdau, Braskem e Votorantim.
 

O principal problema apontado por Lima é o risco dos subsistemas. No Brasil, o setor elétrico é dividido em quatro subsistemas: Norte, Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste. Cada área conta com uma infraestrutura de geração, transmissão e distribuição relativamente autônoma. Quando o consumo de uma região atinge seu limite, parte da energia gerada por outra região é encaminhada para suprir a demanda. A questão, segundo Lima, é que cada região possui um custo próprio de produção de energia, chamado de custo marginal de operação. A conta é um valor médio entre o custo da energia gerada por hidrelétricas, termelétricas etc. Por isso, quando uma região já ocupou toda a sua capacidade hidrelétrica, cujo custo é menor, e aciona suas térmicas, o custo marginal sobe.

Pelas regras do mercado livre, quando uma grande indústria compra energia de outra região, precisa arcar com a diferença entre o preço praticado na sua região e o daquela de onde a energia está vindo. A usina de Belo Monte será construída no Rio Xingu, no Pará. O subsistema Norte, do qual fará parte, é o que mais preocupa as grandes indústrias, porque é o que gerou a maior diferença de preços de energia já registrado pela Abrace entre o Norte e o Sudeste, no qual a maior parte das empresas está instalada. Em março de 2009, quando os clientes do Sudeste precisaram "importar" energia do Norte, a diferença chegou a 65,91 reais por megawatt/hora (MWh). "Os picos de preço podem prejudicar muito as empresas", diz Lima.