Estudo relaciona terceirização com as mortes no trabalho, no setor elétrico
25 de março de 2010 | Autor: O Globo
Fonte: O Globo

Mais da metade da força de trabalho do setor elétrico do país é terceirizada e a incidência de mortes no trabalho para os terceirizados chega a ser 4,5 vezes maior do que para os trabalhadores próprios, de acordo com estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pesquisa permitiu "concluir que existe maior risco de morte associado ao segmento terceirizado da força de trabalho", segundo a nota publicada.

De acordo com o estudo, o segmento contava, em 2008, com 227,8 mil trabalhadores, dos quais 126,3 mil eram terceirizados. O nível de terceirização no setor elétrico

brasileiro naquele ano estava na casa de 55,5% da força trabalho. Descartadas informações de empresas que não divulgaram dados da mão de obra terceirizada, chegou-se a um índice de terceirização no setor elétrico da ordem de 58,3% da força de trabalho em 2008. Quando analisadas apenas as distribuidoras, o contingente de trabalhadores terceirizados foi superior, na casa dos 59,9%, enquanto que em empresas que desempenhavam atividades de geração, transmissão e outras, o índice de terceirização foi mais baixo (52,6%), mas ainda superior à metade da força de trabalho.

A região que apresenta o maior índice de terceirização é a Nordeste, onde grandes distribuidoras chegam a ter mais de 70% da força de trabalho terceirizada. O Sul, com o menor índice de terceirização, apresentou um número de trabalhadores próprios superior ao de terceirizados.

A pesquisa mostrou que, nas empresas com controle público, o nível de terceirização é, de modo geral, inferior ao das empresas com controle privado. Os índices deterceirização são de 50,2% nas públicas e de 64,7% nas privadas, respectivamente.

Mortes no setor

Em 2008, a taxa de mortalidade da força de trabalho do setor elétrico foi de 32,9 mortes por grupo de 100 mil trabalhadores. A pesquisa do Dieese revelou uma taxa de mortalidade 3,21 vezes superior entre os trabalhadores terceirizados em relação ao verificado para o quadro próprio. A taxa ficou em 47,5 para os terceirizados contra 14,8 para os trabalhadores do quadro próprio das empresas.

As empresas distribuidoras, no geral, apresentam taxas de mortalidade mais elevadas que as geradoras, cumprindo papel preponderante na definição da taxa de mortalidade do setor. Na análise por atividade, também não há situação na qual a taxa de mortalidade do segmento terceirizado seja inferior ao do segmento próprio.

As maiores taxas de mortalidade do quadro próprio foram registradas na região Norte. A maior, de 47,7, foi registrada em 2008. Em relação às taxas de mortalidade dos terceirizados, as maiores correspondem a três dígitos. Na região Norte, em 2006, foram 177 mortes por grupo de 100 mil trabalhadores, no Centro-Oeste, em 2007, 115,7, e outra vez no Norte, em 2008, 106,1.