Impactos da venda da Chesf serão discutidos em audiência na AL
25 de outubro de 2017 | Autor: Mineiro
Fonte: Mineiro

Os impactos da privatização da Chesf no Rio Grande do Norte e no Nordeste serão debatidos em audiência pública na Assembleia Legislativa, na próxima sexta-feira (27), às 15h, através de proposição do deputado estadual Fernando Mineiro (PT). Durante o evento acontecerá, ainda, o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Chesf no RN.

 

Para Mineiro, a privatização da Eletrobras, controladora da Chesf, anunciada recentemente pelo Ministério de Minas e Energia, significa, na prática, “a entrega de uma das nossas maiores riquezas estratégicas ao setor privado”. Ele alertou que a privatização da companhia, além do efeito do aumento do preço da conta de luz da população, teria impactos sociais importantes.

 

“O processo de privatização incide diretamente sobre o controle do uso das águas do rio São Francisco, que é o gerador da energia distribuída pela Chesf. Isso poderá inviabilizar, por exemplo, a conclusão das obras da transposição, que ainda estão em fase de andamento no RN”, ponderou.

 

A preocupação de Mineiro é compartilhada pelo secretário-geral do Sindicato dos Eletricitários do RN (Sintern), Ari dos Santos de Azevedo Filho, que manifestou receio sobre a possível interrupção da obra.

 

“A venda da Chesf coloca em risco, diretamente, a chegada da transposição ao RN, porque o ativo para a geração da energia é a água do São Francisco. A empresa que comprar a companhia vai impor obstáculos ao uso desse potencial hídrico para outros fins que não sejam a geração de energia”, advertiu.

 

Ari ressaltou a importância da realização da audiência pública, por se tratar da oportunidade de “alertar a sociedade sobre os impactos da venda da Chesf”. “A população precisa saber dos efeitos desse pacote de privatizações do governo ilegítimo de Michel Temer, que quer vender a toque de caixa empresas importantes para o desenvolvimento estratégico do Brasil”.

 

Ele observou, ainda, que sem a Eletrobras e a Chesf nunca teria sido possível universalizar o acesso à energia elétrica, como ocorreu com o programa “Luz para Todos”, realizado pelos governos Lula e Dilma.

 

“A prioridade da iniciativa privada é o lucro, mas, no nosso entendimento, energia é um serviço público, não uma mercadoria. Privatizar significa encarecer o serviço, negando o acesso às pessoas que não têm condições de pagar por ele. Por isso, é importante ter uma política de estado para essa área, assegurando que todos tenham acesso ao serviço”, completou.