O clima esquentou de vez na COSERN
21 de maio de 2010 | Autor: Direção do SINTERN
Fonte: Direção do SINTERN

    A COSERN divulgou o resultado da pesquisa de clima e segundo a própria Empresa o resultado foi insatisfatório. Este resultado é o retrato fiel de como o Grupo Neoenergia cuida dos seus empregados, ou melhor, não cuida.

    Nas outras distribuidoras os resultados também deixaram a desejar, a ponto de um executivo do Grupo Neoenergia ter afirmado: “O resultado da pesquisa de clima organizacional foi ruim em todas as empresas, a CELPE foi mal, e a COSERN e COELBA ficaram disputando décimo a décimo para ver qual das duas era a pior.”

    Dissídios – No caso da COSERN não faltam motivos para a insatisfação dos trabalhadores. A categoria há mais de três anos sem um Acordo Coletivo completo. Ao invés de resolver as pendências na mesa de negociação, a COSERN parte para a intransigência e joga a decisão para os tribunais.

    Foi assim nos Acordos Coletivos de Trabalho de 2007/2008, 2008/2009 e 2009/2010. Contudo, graças a ação do SINTERN, os dissídios tramitam na justiça trabalhista com os trabalhadores garantindo suas conquistas históricas.

    Estas demandas jurídicas causam irritação nos trabalhadores para com a COSERN. A insatisfação torna-se ainda maior quando os cosernianos vêm os empregados da COELBA e CELPE negociarem seus acordos coletivos por completo.

    Baixos salários - O desgaste no relacionamento do trabalhador com a COSERN se deve ainda a falta de uma política remuneratória da Empresa. A categoria amarga uma defasagem salarial em torno de 13% no período pós-privatização e não para de crescer ano após ano.

    O reajuste salarial tem obtido avanços nos acordos coletivos com o advento da Campanha Salarial Unificada promovida pelo SINTERN, SINERGIA-BE e SINDURB-PE. No entanto, sem ainda recompor satisfatoriamente a enorme defasagem salarial. A luta da categoria objetiva uma boa produtividade ou aumento real de salário, pois o que a COSERN vem apresentando é o INPC.

    Sobrecarga de trabalho – A insatisfação ainda decorre do fato dos trabalhadores da COSERN ser duramente castigados pela árdua jornada de trabalho imposta pela COSERN. Sem investir em contração por anos, a Empresa sobrecarrega os empregados com jornada extenuantes de trabalho.

    As conseqüências desta dura realidade são visíveis nos danos para a saúde do trabalhador. As doenças ocupacionais, remédios controlados e acidentes de trabalho se transformam em rotina macabra à categoria. Faltam condições de trabalho e de vida. As seqüelas como estresse, ausência familiar, falta de lazer e baixo poder aquisitivo atrapalham a sociabilidade dos coser-nianos.

    Pesquisa - Para o sindicato a pesquisa mostrou a necessidade de mudanças urgentes na política de gestão de pessoas, no que se refere as questões salariais, retirada de benefícios, promoções, volume de tragalho, dentre outros. Os indices de SATISFAÇÃO, MOTIVAÇÃO e ENGAJAMENTO mostraram a necessidade de uma inversão de prioridades na política de renumeração da Empresa.

    A política de valorização do trabalhador é insuficiente. Não há condições de se prever outro resultado que não seja a insatisfação crescente entre uma pesquisa e outra, enquanto não houver  investimentos para os trabalhadores, não haverá satisfação, motivação e engajamento.

    A COSERN insiste em fazer melhorias pontuais e não no conjunto da Empresa. Assim, não há condições de se evoluir no engajamento da categoria.

    Mudança – Como foi posto são grandes os entraves a serem superados. Isso para citar alguns deles. Enquanto houver lucros incessantes à custa da exploração cada vez maior dos trabalhadores também será maior os motivos da categoria estar insatisfeita com a Empresa.

    A pesquisa de clima organizacional é apenas um dos indicadores que nada vai bem se tratando de COSERN. A resposta à empresa veio de forma silenciosa, mas coerente com as realidades.

    Se não houver mudança muitas outras ainda virão. Afinal o clima esquentou de vez para a COSERN.