Trabalhadores da COSERN realizam duas paralisações de advertência
06 de dezembro de 2010 | Autor: Tarcyla Costa
Fonte: Correio da Tarde

Pela manhã, foi realizado um ato público em frente ao setor de atendimento ao consumidor da empresa
Diante do descaso da COSERN nas negociações da campanha salarial, os trabalhadores decidiram responder com uma paralisação por 24h realizada hoje (6) em todo o Estado e de um ato público em frente ao setor de atendimento ao consumidor da empresa envolvendo os trabalhadores e a população em geral.

Ainda está agendada nova paralisação para a próxima segunda-feira (13), desta vez por 48h. Novamente os trabalhadores permanecerão do lado de fora da empresa mobilizados e denunciando as péssimas condições de trabalho e de salário praticadas pela COSERN.

As mobilizações serão realizadas de forma simultânea pelos trabalhadores da CELPE e COLBA conforme calendário definido pela Intersindical que envolve, além do SINTERN, os sindicatos da SINDURB/PE e SINERGIA/BA. De acordo com o presidente do SINTERN, José Fernandes, a intenção dos trabalhadores é chamar atenção da sociedade para a postura intransigente das empresas do Grupo Neoenergia, que cresce por meio do suor de seus trabalhadores, mas oferece migalhas nas negociações coletivas.

"A atitude dos dirigentes patronais não se justifica. Todos os indicadores, mais uma vez, demonstram crescimento financeiro. Para 2010, a previsão é de 17% a mais no lucro líquido da Neoenergia, o que representa mais de R$ 800 milhões. Desse montante, segundo cálculos do Dieese, cada trabalhador produz cerca de R$ 317 mil", afirma José Fernandes.

Ainda segundo o presidente do SINTERN, apesar da grande lucratividade da empresa, as negociações não têm avançado no ritmo que gratifique o que é produzido pelos trabalhadores. "Os cosernianos não irão tolerar este descaso. A proposta da empresa precisa melhorar, em especial, no que se refere a reajuste salarial, abono, vale-alimentação e cláusulas sociais. A disposição dos trabalhadores será a de buscar esses avanços na raça. Prova disso é essa mobilização de hoje. Este é um momento da categoria mostrar sua força", conclui.

Situação dramática

Segundo o assessor de imprensa do SINTERN, Adriano Medeiros, a situação dos trabalhadores da COSERN é ainda mais dramática do que a dos demais empregados do Grupo Neoenergia. A categoria enfrenta três dissídios coletivos por culpa da intransigência da empresa à mesa de negociação.

A COSERN tenta retirar, a todo custo, conquistas dos trabalhadores do Acordo Coletivo de Trabalho. Contudo, a categoria tem sido vitoriosa pela manutenção destas cláusulas em todas as decisões judiciais. "Enquanto isso, os trabalhadores das demais empresas vinculadas ao Grupo negociam seus acordos coletivos por completo. Infelizmente, nada indica que nas negociações deste ano a COSERN vai resolver estas pendências para com os seus empregados", afirma o assessor.

Por isso, os trabalhadores têm uma carga de responsabilidade maior com a luta. A categoria deve aumentar mais sua participação nas mobilizações sindicais para mostrar sua indignação com a falta de respeito da empresa. "A paralisação de hoje é o primeiro passo desse enfrentamento", explica Adriano.