A Previ e o setor elétrico
22 de dezembro de 2010 | Autor: Valor
Fonte: Valor



Os investimentos da Neoenergia no próximo ano vão chegar a R$ 2,7 bilhões, recorde para a empresa e um dos maiores investimentos anuais a ser realizado em crescimento orgânico por um mesmo grupo do setor elétrico. Somente na atividade de distribuição, nos estados da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, serão destinados R$ 1,8 bilhão. Para se ter ideia da magnitude do investimento, esse valor representa cerca de 25% do total investido por ano pelas mais de 40 empresas ligadas à Associação dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abraee). A associação diz que os investimentos em distribuição somam R$ 7,6 bilhões anuais.


    As ambições da Neoenergia para o próximo ano são ainda maiores. A empresa tem em caixa R$ 4 bilhões, sob o título de reserva de lucro, que planeja usar em aquisições. Mas nesse quesito, a companhia terá de esperar por um arranjo entre seus acionistas, Previ e Iberdrola. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), que é hoje o maior acionista, vive um dilema já que o fundo também é dono da CPFL Energia junto com a Camargo Corrêa. As duas empresas competem hoje pelos ativos de distribuição do país e também nos leilões de usinas hidrelétricas e até mesmo eólicas.


    Para a Previ, não está sendo fácil conseguir chegar a um acordo com seus diferentes sócios nas duas empresas. A Iberdrola, uma grande elétrica espanhola, tem interesse em manter seus ativos no país e uma fusão com a CPFL, que seria o caminho ideal para a Previ em termos de otimização de seus investimentos, não a deixaria na posição que tem hoje. A Previ chegou a contratar o Morgan Stanley para avaliar a Neoenergia. Os espanhóis não quiseram sentar para conversar com a Camargo e discutir uma fusão. Com isso, uma das possibilidades, segundo contam algumas fontes ligadas à operação, é de que a empresa seja cindida, ficando a Iberdrola com a geração e a Previ com a distribuição.

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