DIEESE: a unidade da luta resulta em ganhos sociais e econômicos aos eletriciátios
11 de março de 2011 | Autor: Intersindical Neoenergia
Fonte: Intersindical Neoenergia

O  encontro da Intersindical Neonergia foi importante para realizar uma ampla avaliação de conjuntura econômica. Para responder sobre este assunto foi convidado para o debate o técnico do DIEESE, Melquisedec Moreira.


        Veja a seguir a entrevista com Melquisedec Moreira sobre a avaliação da campanha salarial da categoria em 2010.


    Intersindical>> Na sua avaliação o processo da formação da Intersindical Neoenergia tem avançado nos benefícos dos trabalhadores?
    Melquisedec>> A unificação da campanha nos últimos três anos mostra avanços porque elas estão centradas em eixos fundamentais da luta que são: salário, jornada, saúde, segurança, entre outros itens. Além disso, ela unifica e favorece a mobilização.
Com essa unidade as campanhas salariais dos eletricitários estão mais fortalecidas. Isso tem se traduzido em aumento real de salários, melhora da PLR e incorporação de mais direitos.


    Intersindical>> Em comparação com acordos do setor elétrico em 2010, como está posicionado os ganhos salariais conquistados pela Intersindical?
    Melquisedec>> Houve uma melhora dos resultados das negociações e isso  um indicador do bom momento por que passa a negociação coletiva brasileira. No primeiro semestre de 2010, 87,9% das negociações salariais acompanhadas pelo DIEESE no Brasil conquistaram reajustes salariais acima da inflação medida pelo INPC. No caso do setor elétrico, em 2010, os indicadores mostram que 52,4% dos reajustes salariais que se concentraram em ganhos entre 1,01% e 2%. O resultado do ganho real dos eletricitários da Intersindical Neoenergia situou-se nessa faixa.


    Intersindical>> O que é preciso fazer para melhorar ainda mais esta realidade?
    Melquisedec>> Os trabalhadores não podem perder de vista alguns pontos importantes na hora de negociar. Em 2011, as negociações têm com base no bom desempenho do setor do ano passado. O mercado de energia elétrica em 2010 foi favorecido pelo desempenho da economia, impulsionado pelo crescimento do emprego e da renda e pelo aumento da oferta de crédito.
    As classes residenciais e comerciais mantiveram patamar elevado de crescimento e o consumo industrial consolidou a recuperação iniciada no segundo semestre de 2010. Este ano o Brasil manter a trajetória de expansão com um crescimento entre 5% e 5,5%.
    Além disso, fortalecer a unificação da luta dos eletricitários chama atenção da sociedade para os problemas gerados pelo Grupo Neoenergia aos trabalhadores. Um deles é o problema da terceirização dos serviços que precariza as condições de trabalho, segurança, saúde e salários para 60% da força de trabalho do setor elétrico brasileiro.


    Intersindical>> Existem outros fatores que influenciam nas negociações salariais?
    Melquisedec>> Na nossa avaliação a regulação tarifária tem interferido na negociação coletiva jogando-a para baixo. Ou seja, mesmo sem estar presente fisicamente, a Aneel participou, até agora, das negociações na medida em que padroniza os custos do trabalho em patamares reduzidos, em geral, próximos dos parâmetros legais.
    As empresas começam a apertar mais ainda esses valores para extrair maior rentabilidade, precarizando ainda mais as condições de trabalho e de emprego no setor. O aumento da terceirização, os acidentes com mortes e a queda de qualidade de fornecimento de energia são indicadores bem precisos dessa interferência.