A ameaça da privatização das Empresas Distribuidoras do Grupo Eletrobrás
03 de setembro de 2011 | Autor: FNU
Fonte: FNU



Em notícia veiculada dia 22 de agosto pelo jornal Valor Econômico, “fontes anônimas” da Eletrobrás, da Agencia Nacional de Energia Elétrica e do Ministério de Minas e Energia defenderam a privatização das distribuidoras de energia do grupo Eletrobras. Estranhamos essa noticia aparecer justamente quando estamos em pleno processo de defesa da renovação das concessões do setor elétrico. Quais os interesses por trás de trazer este assunto à tona, justamente nesse momento?

Para o presidente do SINDUR, Nailor Gato, mesmo diante de noticias de fonte não conhecidas é importante que a presidência da Eletrobras mantenha sua palavra. “Em reunião recente no Rio de Janeiro, o presidente Costa anunciou o investimentos de cerca de 7 bilhões nos próximos 5 anos nas distribuidoras.

Além disso, afirmou que na sua gestão não haveria demissões e muito menos privatização de empresa. Esse é o momento de reafirmar os compromissos assumidos”, disse. As empresas distribuidoras do grupo Eletrobras se concentram nas regiões Norte e Nordeste do nosso país. Ao longo do processo de desmanche do setor elétrico nos anos 90, essas empresas que na sua maioria estavam a cargo de gestões estaduais, foram federalizadas exatamente pelo seu caráter estratégico, pois na sua maioria não faziam parte do Sistema Integrado Nacional e requeriam grandes investimentos para a expansão de suas redes, além de arcarem com custos altíssimos para a compra deenergia.

Na opinião de Fernando Barbosa, secretário de Finanças do STIUAC, a ameaça continuará a existir enquanto não houver vontade política de mudar. “O fato das empresas continuarem no PND gera uma insegurança total, pois pode até não existir o desejo dos Ministérios, mas sabemos que dentro de um governo de coalizão o interesse de setores privatistas é inegável, e tudo pode acontecer. Por isso, seria fundamental a retirada das distribuidoras do PND, como prevê o PLS-51, que continua em análise na CCJ”, avalia.

Portanto, ao lermos essa noticia temos a sensação de que esse tempo todo o Grupo Eletrobras esteve preparando “a casa” para a venda. É com essa política que o governo federal pretende transformar a empresa em um grupo forte e estratégico para a economia nacional?

Para a FNU as peculiaridades do Norte e Nordeste do Brasil fazem com que o perigo da privatização dessas empresas, seja o de repetir novamente o quadro que vimos com praticamente todas as empresas que foram privatizadas: Queda na qualidade dos serviços, lucros estratosféricos, tarifas abusivas, demissão em massa, forte terceirização e conseqüentemente aumento no número de acidentes fatais de trabalho. Afinal, estariam as empresas privadas realmente preocupadas em expandir o sistema de distribuição no Norte e Nordeste do país? Ou apenas interessadas em abocanhar o ganho fácil com o aumento de ligações nas capitais, deixando o interior a sua própria sorte? Como um país que pretende cada vez mais garantir a ocupação e proteção de suas fronteiras poderá abrir mão de um ativo essencial a essa estratégia?

O presidente do SINTEPI, Francisco Marques, acredita que existem grupos econômicos que sempre procuram jogar informações dessa natureza na mídia, para assim desestabilizar as distribuidoras. Para ele basta ver a campanha sórdida da FIESP, dizendo que o setor público não tem condições de oferecer tarifas mais baixas, uma grande falácia.

A FNU espera que esta reportagem seja apenas fruto do “lobby” dos defensores da privataria, daqueles que sentem saudades do dinheiro fácil que vem junto com os processos de privatização. Confiamos no bom senso do governo e na sua preocupação em tornar o Grupo Eletrobras uma empresa forte e comprometida com o crescimento de nosso país.

Distribuidoras: Investimentos foram realizados nos últimos anos

Ao longo dos últimos anos, o Grupo Eletrobras investiu quantias significativas nessas empresas e conseguiu trazer um pouco de dignidade aos seus trabalhadores e consumidores. Segundo dados do ultimo balanço da empresa a quantidade de energia elétrica fornecida aos consumidores finais de todas as empresas distribuidoras aumentou em 11,8% assim como houve um crescimento de 5% na base de clientes e de 3% no numero de novas ligações.

As distribuidoras que obtiveram maior crescimento no fornecimento de energia elétrica no último ano foram a ED Piauí (17%), ED Rondônia (14,2%) e ED Acre (10,7%), todas impulsionadas pelo maior crescimento da classe residencial. Cabe ressaltar que, no caso da ED Piauí, houve um expressivo programa de regularização de consumidores. Já no caso da ED Rondônia, o crescimento está atrelado ao grande contingente populacional atraído pelas obras do complexo hidrelétrico do rio Madeira (usinas de Jirau e Santo Antônio).

De uma forma geral, no ano de 2010, as empresas de distribuição do Sistema Eletrobras apresentaram redução dos níveis percentuais de perdas sobre a energia injetada. Destacaram-se as empresas ELB Rondônia e ELB Piauí, as quais obtiveram reduções acima de dois pontos percentuais.

Em 2011, com os recursos financiados pelo Banco Mundial, o projeto de regularização que já esta em curso, será estendido para as demais empresas de distribuição. Envolvendo ações de cunho tecnológico e alicerçado em telemedição de unidades consumidoras com grande representação no faturamento da empresa, esse projeto propiciará a redução das perdas e contribuirá para a blindagem de aproximadamente 64% da receita das empresas de distribuição.