CUT participa dos debates em favor do trabalho decente
24 de outubro de 2011 | Autor: Assessoria de comunicação da CUT/RN
Fonte: Assessoria de comunicação da CUT/RN

A Iª Conferência Estadual de Emprego e do Trabalho Decente foi realizada em Natal, nos dias 13 e 14 de outubro. O evento promovido pelo Cesem (Conselho Estadual do Emprego) reuniu representantes dos trabalhadores, de governos e dos empresários. O objetivo foi construir propostas para o Programa Nacional do Emprego e do Trabalho Decente.

A proposta que será válida em todo o país será definida na Conferência Nacional do Trabalho Decente, que ocorrerá em maio de 2012, em Brasília.

Os temas em destaque foram
- a geração de mais e melhores empregos;
- o fim do trabalho escravo e do trabalho infantil;
- o fortalecimento do diálogo entre os três atores (trabalhadores, governos e empresários); e
- igualdade de tratamento para jovens, mulheres, população negra e trabalhadores domésticos.

A CUT-RN participou do evento com 52 trabalhadores, que representaram diversas categorias. Para o presidente da CUT-RN, José Rodrigues Sobrinho, a conferência é apenas mais um campo de luta entre trabalhadores e empresários.

“O enfrentamento com os patrões se dá todos os dias, não só na conferência”, afirma o líder sindical. “O patronato quer tirar dos trabalhadores vários direitos e nós, na defesa das nossas bandeiras históricas, não vamos abrir mão”.

Ele dá exemplos de direitos que os trabalhadores lutam para conquistar: “queremos a jornada de 40 horas sem redução dos salários; igualdade no trabalho, para que o homem preto ganhe o mesmo que o homem branco, e a mulher ganhe o mesmo que o homem, quando fazem o mesmo serviço. Fim da terceirização e da precarização; desoneração da folha de pagamento, valorização do salário mínimo, e tudo mais”.

Como a conferência reúne também representantes do governo, José Rodrigues ressalta que é preciso tomar muito cuidado “porque o patronato geralmente tem o voto do governo estadual e aí nós ficamos em desvantagem”.

Para avançar a luta, a estratégia dos trabalhadores foi buscar um acordo para não colocar em votação as diferentes posições. “Vamos respeitar as decisões das três conferências (Caicó, Mossoró e Natal) e levar estas posições para a conferência nacional onde a gente espera contar com o apoio do governo federal para construir uma relação de trabalho mais respeitosa e decente”, conta o presidente da CUT-RN.

Têxtil
Para o representante dos trabalhadores das indústrias de fiação e tecelagem, José Nogueira Pires, a conferência desenha uma mini-reforma trabalhista. Mas o dirigente do Sinditêxtil ressalta que os trabalhadores se precaveram. “Nós viemos preparados com propostas decentes para o trabalhador. Os patrões querem explorar o trabalho infantil, são contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Mas nós, da CUT, elaboramos um documento válido para todo o Brasil com nossas propostas na defesa dos trabalhadores e lutamos para aprovar”, afirma Nogueira.

Eletricitários
Uma oportunidade de vencer “todas as ameaças que o neoliberalismo tenta impor aos trabalhadores”. É assim que o eletricitário Ari dos Santos Azevedo Filho, dirigente do SINTERN e da CUT-RN encara a Conferência do Trabalho Decente. “O evento pauta o que há de maior importância para os trabalhadores, como garantir direitos já conquistados e avançar em novas conquistas, melhorar a relação de emprego”, afirma.
E o embate vai ser duro. “Os empresários não querem reduzir jornada. Querem prorrogar jornadas para terem maior lucro. Eles reclamam até da política de valorização do salário mínimo”, conta o dirigente sindical.

Sindágua
A direção do Sindágua foi para a conferência defender propostas que melhorem a qualidade de vida dos trabalhadores de água e esgoto do Rio Grande do Norte. O dirigente do sindicato Alberto Moura destaca “a não terceirização dos serviços, que torna a relação de trabalho precária e insegura para o trabalhador. Nós queremos discutir uma política de valorização do trabalhador e de valorização da vida, de segurança do trabalho, da saúde ambiental na empresa”, afirma.

Previdenciários
Os previdenciários estiveram representados na conferência. Não pela direção do Sindiprevs, mas pelo trabalhador Eulálio Luís da Silva, que é diretor da CUT-RN e integra a oposição à diretoria do sindicato.
“As propostas para um trabalho decente têm muito a ver com os previdenciários porque os trabalhadores estão ficando doentes”, afirma Eulálio. Ele relata que “temos vários colegas respondendo a processos na Polícia Federal por errarem uma ou duas vezes, mas é porque são forçados a trabalhar 40 horas sob pressão desumana. Então é importante discutirmos as bases para tornarmos o trabalho mais decente”.

Telefônicos
Além dos diversos temas tratados na conferência, o problema da terceirização é muito importante para os trabalhadores de empresas de telefonia. “Esta é uma questão que vimos enfrentando há muito tempo, por isto é fundamental que seja destacada, afirma a dirigente sindical Audinete de Araújo. Ela participa das diretorias da Fittel e da CUT-RN.